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Bogo Advocacia
quinta-feira, 19 dezembro 2019 / Published in Direito Trabalhista

Contrato de trabalho intermitente: como funciona e quais regras a empresa deve observar?

Contrato de trabalho intermitente como funciona segundo a legislação trabalhista

O contrato de trabalho intermitente funciona como uma modalidade de contratação em que a prestação de serviços ocorre de forma não contínua. Períodos de trabalho são alternados com períodos de inatividade, que podem ser determinados em horas, dias ou meses.

Previsto na Consolidação das Leis do Trabalho, esse modelo pode atender empresas que possuem demandas específicas ou variáveis ao longo do tempo. No entanto, a contratação intermitente não significa ausência de vínculo empregatício ou de obrigações trabalhistas.

O empregado é registrado e possui direitos previstos pela legislação. Por isso, antes de adotar essa modalidade, a empresa precisa entender como funcionam a formalização do contrato, as convocações, os pagamentos e os períodos de inatividade.

O que é contrato de trabalho intermitente?

O trabalho intermitente está previsto no artigo 443 da CLT. Sua principal característica é a alternância entre períodos de prestação de serviços e períodos de inatividade.

Isso significa que o empregado não trabalha continuamente para a empresa. Ele é convocado conforme a necessidade do empregador e recebe pelas atividades efetivamente realizadas, além das demais parcelas previstas pela legislação.

Mesmo sem continuidade na prestação dos serviços, existe vínculo empregatício.

O modelo também não deve ser confundido com a contratação de profissional autônomo ou freelancer. No contrato intermitente, permanecem características próprias da relação de emprego e obrigações decorrentes do vínculo.

Contrato de trabalho intermitente: como funciona a contratação?

O contrato deve ser celebrado por escrito e conter as informações necessárias para formalizar a relação entre empresa e empregado.

Entre os pontos relevantes está o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo nem ao pago aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função, conforme estabelece a CLT.

A empresa também deve realizar o registro do empregado e observar as demais obrigações trabalhistas e previdenciárias relacionadas à contratação.

Como funciona a convocação do trabalhador intermitente?

Quando precisa dos serviços, o empregador realiza a convocação informando qual será a jornada.

Segundo o artigo 452 A da CLT, a convocação deve ocorrer com pelo menos três dias corridos de antecedência.

Depois de receber a convocação, o empregado possui um dia útil para responder. A ausência de resposta dentro desse período é considerada recusa.

A recusa é permitida e não descaracteriza a relação de subordinação existente no contrato intermitente.

Por isso, é importante que a empresa mantenha registros das convocações e das respectivas respostas.

O empregado precisa ficar disponível durante a inatividade?

Não.

Durante os períodos em que não está prestando serviços, o empregado intermitente não permanece à disposição da empresa.

Esse período não é remunerado e o profissional pode prestar serviços a outros contratantes.

Essa característica é importante para diferenciar o trabalho intermitente de outras modalidades de contratação. Se, na prática, existir prestação contínua e uma dinâmica incompatível com a intermitência, a forma como o contrato está sendo executado pode ser questionada.

Como funciona o pagamento no contrato intermitente?

Ao final de cada período de prestação de serviços, o empregado recebe a remuneração correspondente ao trabalho realizado e as demais parcelas previstas pela CLT.

O pagamento deve contemplar, conforme aplicável, remuneração, férias proporcionais acrescidas de um terço, décimo terceiro salário proporcional, repouso semanal remunerado e adicionais legais.

O recibo de pagamento deve discriminar os valores correspondentes a cada parcela.

Além disso, a empresa deve realizar os recolhimentos previdenciários e o depósito do FGTS conforme as regras aplicáveis.

O trabalhador intermitente tem direito a férias?

Sim.

A cada 12 meses, o empregado adquire direito a usufruir, nos 12 meses seguintes, um mês de férias, período durante o qual não poderá ser convocado pelo mesmo empregador.

É importante diferenciar esse período do pagamento proporcional de férias realizado durante as prestações de serviço.

Por isso, a empresa precisa manter controle sobre a data de admissão e os períodos aquisitivos, mesmo quando o empregado trabalha apenas em determinadas ocasiões.

Trabalho intermitente tem limite de jornada?

O fato de a prestação ser descontínua não elimina as regras relacionadas à jornada de trabalho.

A empresa deve observar os limites legais e controlar adequadamente os períodos efetivamente trabalhados.

Horas extras e outros adicionais eventualmente devidos também precisam ser considerados conforme as circunstâncias da prestação.

Portanto, a flexibilidade do contrato intermitente não significa liberdade para estabelecer jornadas incompatíveis com a legislação trabalhista.

Qual a diferença entre trabalho intermitente e trabalho autônomo?

A diferença está principalmente na natureza da relação.

No trabalho intermitente existe vínculo de emprego. O trabalhador é contratado pela empresa, registrado e convocado para prestar serviços em determinados períodos.

Já na prestação de serviços autônomos, a relação possui características diferentes e não deve reproduzir os elementos típicos de um vínculo empregatício.

Para a empresa, essa distinção é relevante porque utilizar uma modalidade contratual que não corresponde à realidade da prestação dos serviços pode gerar questionamentos posteriores.

Quando o contrato intermitente pode ser interessante para a empresa?

Essa modalidade pode ser considerada quando a própria natureza da demanda apresenta períodos alternados de necessidade de mão de obra.

Antes da contratação, porém, a empresa deve avaliar se a dinâmica real da função é compatível com a intermitência.

Quando existe necessidade permanente e prestação contínua de serviços, simplesmente denominar o vínculo como intermitente não elimina os riscos de um enquadramento inadequado.

A análise deve considerar tanto o contrato quanto a maneira como o trabalho ocorrerá na prática.

Quais cuidados a empresa deve ter com o contrato intermitente?

A formalização correta é apenas uma parte da gestão dessa modalidade.

Também é importante documentar as convocações, registrar as respostas do empregado, controlar as jornadas realizadas, discriminar corretamente as parcelas pagas e manter os recolhimentos em dia.

Além disso, a empresa deve verificar periodicamente se a forma como o trabalho ocorre continua compatível com as características do contrato intermitente.

Procedimentos internos bem definidos ajudam RH e departamento pessoal a reduzir inconsistências na administração desses vínculos.

Contrato de trabalho intermitente exige atenção às regras da CLT

Entender contrato de trabalho intermitente como funciona ajuda a empresa a avaliar quando essa modalidade realmente corresponde à sua necessidade.

Embora permita alternância entre períodos de trabalho e inatividade, trata se de uma relação de emprego sujeita às obrigações previstas na legislação.

Por isso, a escolha da modalidade contratual deve considerar a realidade da função, a frequência das atividades e a forma como o empregado será convocado e remunerado.

Cada contratação possui particularidades. A orientação jurídica trabalhista empresarial pode auxiliar na estruturação dos contratos e na prevenção de riscos decorrentes de enquadramentos inadequados.

Tagged under: contrato de trabalho, direitos trabalhistas, trabalho intermitente

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