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Bogo Advocacia
terça-feira, 23 julho 2019 / Published in Previdenciário

Empregado aposentado afastado por doença pode ser demitido?

Empregado aposentado afastado por doença em período de recuperação

O empregado aposentado afastado por doença pode ser demitido em algumas situações, mas a resposta depende da origem do afastamento e da existência de estabilidade no emprego. Quando a doença não possui relação com o trabalho, em regra, não há estabilidade automática após o retorno. Já em casos de acidente de trabalho ou doença ocupacional, pode existir proteção por 12 meses.

Além disso, o fato de o trabalhador já estar aposentado não elimina necessariamente essa garantia. Se ele continua trabalhando e sofre um acidente relacionado ao trabalho, a estabilidade pode ser reconhecida mesmo que já receba aposentadoria.

Por isso, antes de concluir se a demissão é válida, é necessário analisar a causa do afastamento, o vínculo com o trabalho e o momento em que a dispensa ocorreu.

Empregado aposentado afastado por doença comum pode ser demitido?

Em regra, sim.

Se o afastamento decorrer de uma doença sem relação com o trabalho, não existe estabilidade automática de 12 meses após o retorno. O próprio INSS informa que, no benefício por incapacidade temporária comum, não há estabilidade no emprego.

Portanto, depois da recuperação e do retorno às atividades, o empregado pode ser dispensado sem justa causa, desde que não exista outra estabilidade prevista em lei, contrato ou norma coletiva.

Quando o empregado aposentado afastado por doença tem estabilidade?

A situação muda quando a incapacidade decorre de acidente de trabalho, doença profissional ou doença do trabalho.

Nesses casos, a legislação assegura estabilidade por 12 meses após a cessação do afastamento acidentário. O art. 118 da Lei nº 8.213/1991 garante a manutenção do contrato nesse período.

Assim, se o empregado aposentado afastado por doença comprovar que a condição possui relação com o trabalho, pode existir estabilidade mesmo que ele já receba aposentadoria.

Aposentado que continua trabalhando pode ter estabilidade acidentária?

Sim.

O Tribunal Superior do Trabalho já reconheceu que o empregado aposentado que permanece trabalhando e sofre acidente de trabalho pode ter direito à estabilidade provisória. Segundo o entendimento do TST, o recebimento da aposentadoria não elimina a proteção relacionada ao acidente ocorrido durante o vínculo de emprego.

Portanto, aposentadoria e estabilidade acidentária são questões diferentes.

A primeira está relacionada ao benefício previdenciário. A segunda decorre da proteção trabalhista vinculada ao acidente ou à doença ocupacional.

Empregado aposentado recebe auxílio por incapacidade temporária?

Aqui existe uma diferença importante em relação ao trabalhador que ainda não se aposentou.

Quem já recebe aposentadoria pelo RGPS não pode acumular esse benefício com auxílio por incapacidade temporária. Por isso, o empregado aposentado que continua trabalhando e adoece não recebe esse auxílio nas mesmas condições de um segurado não aposentado.

Ainda assim, isso não significa que ele fique sem proteção trabalhista.

Se houver acidente de trabalho ou doença ocupacional, a estabilidade pode ser discutida com base na relação entre a incapacidade e o trabalho, mesmo sem pagamento de auxílio por incapacidade temporária. O TST já reconheceu essa proteção em casos envolvendo aposentados acidentados.

Qual a diferença entre doença comum e doença ocupacional?

A doença comum não possui relação direta com o trabalho.

Já a doença ocupacional pode decorrer das condições em que a atividade profissional é exercida ou ser agravada por elas.

A Lei nº 8.213/1991 equipara determinadas doenças profissionais e do trabalho ao acidente de trabalho. Além disso, a legislação prevê análise do nexo entre atividade profissional e incapacidade.

Essa distinção é essencial porque interfere diretamente na existência ou não da estabilidade.

Quanto tempo dura a estabilidade após acidente de trabalho?

A estabilidade acidentária dura, em regra, 12 meses após a cessação do afastamento relacionado ao acidente de trabalho.

Durante esse período, o empregado não pode ser dispensado sem justa causa, salvo situações específicas.

Se houver dispensa indevida, pode existir discussão sobre reintegração ou indenização correspondente ao período estabilitário.

Empregado aposentado afastado por doença pode ser demitido durante o afastamento?

A dispensa durante o afastamento exige cautela.

Quando existe incapacidade reconhecida e o contrato está suspenso, especialmente em situações relacionadas a acidente de trabalho, a demissão pode gerar discussão judicial.

Além disso, se o afastamento tiver natureza acidentária, a estabilidade posterior também precisa ser considerada.

Por isso, o momento da dispensa deve ser analisado em conjunto com a causa do afastamento e a situação contratual do empregado.

Doença ocupacional também gera estabilidade?

Pode gerar.

Quando a doença profissional ou do trabalho é reconhecida e produz incapacidade relacionada à atividade exercida, pode existir a mesma proteção aplicável aos acidentes de trabalho.

Isso significa que problemas de saúde desenvolvidos ou agravados pelo trabalho podem gerar estabilidade após o retorno.

Entretanto, a relação entre doença e atividade profissional precisa ser demonstrada.

E se a empresa considerar a doença como comum?

Essa classificação pode ser discutida.

Em alguns casos, uma condição inicialmente tratada como doença comum pode apresentar relação com o ambiente ou com as atividades profissionais.

Por isso, documentos médicos, histórico de trabalho, comunicação de acidente e demais elementos podem ser importantes para analisar o nexo ocupacional.

Se houver divergência, a natureza do afastamento pode ser discutida administrativa ou judicialmente.

Empregado aposentado afastado por doença pode ser demitido depois da alta?

Depende da causa do afastamento.

Se a doença for comum e não existir outra estabilidade, a dispensa pode ocorrer após o retorno.

Por outro lado, se houver acidente de trabalho ou doença ocupacional, pode existir estabilidade por 12 meses.

Assim, a resposta para a dúvida sobre empregado aposentado afastado por doença não depende apenas da aposentadoria. O ponto central é saber se o afastamento possui ou não relação com o trabalho.

Contrato de experiência também pode ter estabilidade?

Pode.

A estabilidade decorrente de acidente de trabalho pode alcançar contratos por prazo determinado em determinadas situações.

Por isso, o fato de o empregado estar em contrato de experiência não elimina automaticamente a possibilidade de proteção acidentária.

A análise deve considerar as circunstâncias do acidente e os requisitos aplicáveis ao caso.

O que acontece se a empresa demitir durante a estabilidade?

Se a estabilidade estiver caracterizada, a dispensa sem justa causa pode ser questionada.

Dependendo das circunstâncias, o trabalhador pode buscar reintegração ou indenização substitutiva pelo período protegido.

O resultado depende da situação concreta, da prova existente e do momento em que ocorreu a dispensa.

Como saber se existe relação entre doença e trabalho?

A análise costuma considerar documentos médicos, histórico profissional, condições de trabalho e eventual reconhecimento de nexo entre atividade e doença.

Também podem ser importantes informações sobre acidentes, funções exercidas e exposição a riscos.

Por isso, o diagnóstico isolado não é suficiente. É necessário avaliar se existe relação entre a condição de saúde e o trabalho desenvolvido.

O que o empregado aposentado deve fazer se for demitido após afastamento?

Primeiro, é necessário verificar se a doença era comum ou possuía natureza ocupacional.

Depois, devem ser analisados a data do retorno, o momento da dispensa e os documentos disponíveis.

Se houver estabilidade acidentária, a demissão pode ser questionada. Por outro lado, se não existir relação entre a doença e o trabalho, a situação pode ser diferente.

Por que contar com orientação jurídica?

O caso envolve regras trabalhistas e previdenciárias ao mesmo tempo.

É necessário verificar se houve acidente de trabalho, doença ocupacional, estabilidade, vínculo ativo e eventual discussão sobre a validade da dispensa.

Além disso, o fato de o trabalhador já receber aposentadoria cria particularidades específicas.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada.

Veja também: Advogado para aposentadoria: quando a orientação jurídica faz diferença

Conclusão: empregado aposentado afastado por doença pode ser demitido?

O empregado aposentado afastado por doença pode ser demitido em algumas situações.

Quando a doença é comum e não existe outra estabilidade aplicável, em regra não há proteção automática por 12 meses após o retorno. Já quando o afastamento decorre de acidente de trabalho ou doença ocupacional, pode existir estabilidade por esse período.

Além disso, o recebimento de aposentadoria não elimina automaticamente essa proteção. O TST já reconheceu estabilidade provisória para empregados aposentados que sofreram acidente de trabalho enquanto permaneciam em atividade.

Por isso, a causa da doença e o momento da dispensa precisam ser analisados antes de concluir se a demissão foi válida.

Tagged under: advogado previdenciário, aposentado, auxílio-doença, demissão, direito previdenciario, empregado, inss, previdência, previdência social

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