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quarta-feira, 09 setembro 2020 / Published in Direito Familiar

Divórcio sem consentimento de um dos cônjuges: é possível?

Divórcio sem consentimento de um dos cônjuges

Quando o casamento chega ao fim, nem sempre os dois envolvidos concordam com a decisão. Nessa situação, é comum surgir a dúvida sobre a possibilidade de realizar o divórcio sem consentimento de um dos cônjuges.

Sim, é possível. No Brasil, ninguém pode ser obrigado a permanecer casado porque a outra pessoa não aceita o término da relação.

Desde a Emenda Constitucional nº 66/2010, o casamento pode ser dissolvido diretamente pelo divórcio, sem necessidade de separação anterior ou cumprimento de prazo.

Portanto, a discordância pode gerar discussões sobre patrimônio, filhos e alimentos, mas não impedir definitivamente o fim do vínculo matrimonial.

Como funciona o divórcio sem consentimento de um dos cônjuges?

Quando não existe acordo, o divórcio precisa seguir pela via judicial.

Nesse caso, basta que uma das pessoas manifeste que não deseja continuar casada. O divórcio é considerado um direito potestativo, o que significa que seu exercício não depende da concordância do outro cônjuge.

Assim, a outra parte pode participar do processo e discutir as consequências do término, mas não possui poder para obrigar a manutenção do casamento.

O procedimento extrajudicial em cartório, por outro lado, depende do consenso entre os envolvidos.

O outro cônjuge pode se recusar a assinar o divórcio?

Pode se recusar a colaborar, mas essa decisão não impede que o casamento seja dissolvido judicialmente.

A assinatura de ambos é relevante quando existe acordo e o casal pretende realizar um divórcio consensual.

Quando uma das partes não concorda, a pessoa interessada pode ajuizar a ação mesmo que o outro cônjuge se recuse a assinar documentos relacionados ao divórcio.

Por isso, recusar a assinatura não significa impedir juridicamente o término do casamento.

Divórcio sem consentimento precisa de um motivo?

Não.

Não é necessário provar traição, abandono, incompatibilidade ou qualquer outra causa para justificar o pedido.

A vontade de não continuar casado é suficiente para solicitar o divórcio.

As circunstâncias que levaram ao término podem ter importância em outras discussões específicas, mas não são requisito para que o vínculo matrimonial seja dissolvido.

Divórcio unilateral e divórcio sem consentimento são a mesma coisa?

A expressão divórcio unilateral costuma ser utilizada para descrever a situação em que apenas uma das pessoas deseja terminar o casamento.

No entanto, isso não significa que seja possível simplesmente comparecer sozinho a um cartório e registrar o fim do casamento sem participação da outra pessoa.

Sem consenso, o caminho adequado é judicial.

Portanto, o chamado divórcio unilateral está relacionado ao fato de que a vontade de apenas um dos cônjuges é suficiente para pedir a dissolução do vínculo.

O divórcio sem consentimento pode ser decretado no início do processo?

Em determinadas situações, sim.

A jurisprudência reconhece a possibilidade de decretar o divórcio antes da resolução definitiva das demais questões discutidas no processo.

Isso ocorre porque o fim do casamento não precisa esperar a conclusão de assuntos como partilha de bens, guarda, convivência ou pensão alimentícia.

Assim, o casamento pode ser dissolvido enquanto o processo continua para solucionar os pontos sobre os quais ainda existe conflito.

É preciso esperar o outro cônjuge se manifestar?

A outra pessoa deve ter oportunidade de participar do processo nas questões que dependem de discussão.

Entretanto, a discordância sobre o término não cria uma controvérsia capaz de impedir o divórcio.

No divórcio sem consentimento de um dos cônjuges, o ponto central é que a vontade de uma das partes é suficiente para colocar fim ao casamento.

Questões patrimoniais e familiares seguem outra lógica e podem exigir manifestação, documentos e produção de provas.

Como funciona o divórcio quando o outro cônjuge não é encontrado?

A dificuldade para localizar o outro cônjuge não significa que o casamento precisará permanecer indefinidamente.

O processo possui mecanismos próprios para situações em que a outra pessoa não é localizada no endereço conhecido.

Ainda assim, precisam ser observadas as regras processuais para garantir a regularidade do procedimento, especialmente quando também existem discussões sobre patrimônio, filhos ou alimentos.

Por isso, cada caso precisa ser analisado conforme as informações disponíveis sobre a localização da outra parte.

O divórcio sem acordo precisa esperar a partilha dos bens?

Não. O divórcio sem consentimento de um dos cônjuges pode ser decretado mesmo que ainda existam discussões sobre a divisão do patrimônio.

A partilha não precisa ser concluída para que o casamento termine.

Isso é especialmente importante em processos que envolvem vários imóveis, empresas, investimentos, financiamentos ou divergências sobre quais bens devem ser divididos.

Nesses casos, a pessoa pode deixar de estar juridicamente casada enquanto a discussão patrimonial continua.

O outro cônjuge pode impedir a divisão do patrimônio?

Pode discordar da forma como os bens deverão ser partilhados, mas essa controvérsia será resolvida conforme o regime de bens, os documentos e as demais provas apresentadas.

A partilha é uma questão diferente do próprio divórcio.

Pode haver discussão sobre imóveis, veículos, investimentos, empresas, dívidas ou até sobre a data em que ocorreu a separação de fato.

Esses temas podem prolongar o processo, mas não concedem ao outro cônjuge o direito de impedir o fim do casamento.

Como ficam os filhos no divórcio sem consentimento?

Quando existem filhos menores, outras questões precisam ser definidas.

Entre elas estão guarda, convivência familiar, residência de referência e pensão alimentícia.

A falta de consenso entre os pais pode exigir uma decisão judicial sobre esses assuntos.

Entretanto, o divórcio sem consentimento de um dos cônjuges não precisa ficar condicionado à conclusão dessas discussões.

O interesse dos filhos será analisado separadamente da decisão dos pais de permanecer ou não casados.

É possível pedir pensão alimentícia no mesmo processo?

Dependendo da situação, questões relacionadas aos alimentos podem ser discutidas juntamente com o divórcio.

Isso pode envolver pensão destinada aos filhos e, em casos específicos, alimentos entre ex cônjuges.

Cada pedido possui requisitos próprios.

No caso dos filhos, serão consideradas suas necessidades e a capacidade financeira dos pais. Já a pensão entre ex cônjuges não é automática e depende das circunstâncias concretas da relação.

Existe prazo de separação para pedir o divórcio?

Não.

Atualmente, não é necessário permanecer separado durante determinado período antes de pedir o divórcio.

Também não é obrigatório passar primeiro por uma separação judicial.

Assim que uma das pessoas decide colocar fim ao casamento, pode buscar a dissolução jurídica do vínculo.

Quem saiu de casa pode pedir o divórcio?

Sim.

Deixar a residência do casal não retira o direito de solicitar a dissolução do casamento.

Também não significa automaticamente perder direitos sobre o patrimônio.

As questões patrimoniais dependem do regime de bens, do momento em que cada bem foi adquirido e de outras circunstâncias da relação.

Por isso, sair de casa e abrir mão do patrimônio são situações diferentes.

O cônjuge que não aceita o divórcio pode recorrer?

As partes possuem os meios processuais previstos em lei para questionar decisões judiciais.

No entanto, a jurisprudência reconhece que não existe um direito de obrigar outra pessoa a permanecer casada.

Assim, eventuais discussões podem envolver aspectos processuais ou as consequências do término, mas não a imposição da continuidade do casamento contra a vontade de uma das partes.

Quanto tempo demora um divórcio litigioso?

Não existe um prazo único.

O tempo depende das características do processo, da localização das partes e principalmente das questões que precisam ser resolvidas.

Um processo que discute somente a dissolução do casamento tende a ser diferente daquele que envolve vários imóveis, empresas, guarda dos filhos, alimentos e outras controvérsias.

Por isso, o divórcio sem consentimento de um dos cônjuges não significa necessariamente que o vínculo matrimonial demorará anos para ser encerrado.

As demais questões podem continuar sendo discutidas depois da decretação do divórcio.

O que acontece depois que o divórcio é decretado?

Depois da decisão, a dissolução do casamento precisa ser registrada no assento matrimonial.

A averbação atualiza oficialmente o estado civil das partes.

Se ainda existirem questões pendentes, como divisão de bens ou alimentos, o processo poderá continuar normalmente em relação a esses pontos.

Dessa maneira, o término do casamento e a solução das demais controvérsias não precisam acontecer exatamente no mesmo momento.

É possível fazer acordo durante o divórcio litigioso?

Sim.

Mesmo quando o processo começa como divórcio litigioso, as partes podem chegar a acordos posteriormente.

Pode existir consenso sobre determinados bens, guarda, convivência, pensão alimentícia ou outras questões.

Também é possível resolver alguns pontos por acordo e manter outros para decisão judicial.

Por isso, o início litigioso do processo não significa que todas as questões precisarão permanecer em conflito até o final.

Precisa de advogado para o divórcio sem consentimento?

Sim.

Quando não existe consenso e é necessário ajuizar uma ação, a representação jurídica é necessária.

Além da certidão de casamento, podem ser necessários documentos relacionados aos filhos, patrimônio, renda, dívidas e outras informações relevantes.

A documentação dependerá dos temas que serão discutidos juntamente com a dissolução do casamento.

Divórcio sem consentimento significa um processo longo?

Não necessariamente.

O divórcio sem acordo pode se tornar mais complexo quando existem questões sobre patrimônio, guarda ou alimentos ainda em disputa.

Entretanto, a simples recusa da outra pessoa em aceitar o divórcio não significa que o vínculo deverá permanecer até que todas essas discussões sejam encerradas.

A possibilidade de decidir o divórcio separadamente das demais questões permite que o estado civil seja alterado enquanto os conflitos patrimoniais ou familiares continuam sendo analisados.

Conclusão

O divórcio sem consentimento de um dos cônjuges é possível porque a continuidade do casamento não depende da vontade conjunta quando uma das pessoas já decidiu encerrar a relação.

Não é necessário apresentar um motivo para se divorciar, cumprir um período mínimo de separação ou obter a assinatura da outra parte.

Quando não há consenso, o procedimento segue pela via judicial. O outro cônjuge poderá discutir questões como partilha de bens, guarda, convivência e alimentos, mas não impedir o encerramento do vínculo matrimonial.

Além disso, o divórcio pode ser decretado antes da solução definitiva dessas outras questões, permitindo que o processo continue apenas em relação aos pontos que realmente dependem de discussão.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada para avaliar como conduzir o divórcio sem consentimento de um dos cônjuges e quais questões precisam ser tratadas no processo.

Acompanhe mais informações no blog da Bogo Advocacia.

Tagged under: cônjuge, divórcio, partes

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