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sexta-feira, 17 julho 2020 / Published in Direito Familiar

Documentos necessários para divórcio: o que é preciso para dar entrada?

Pessoa assinando documento em conteúdo sobre documentos necessários para divórcio

O fim de um casamento envolve decisões pessoais, patrimoniais e, em alguns casos, questões relacionadas aos filhos. Além de definir como será realizado o procedimento, é preciso reunir a documentação que permitirá formalizar o término da relação. Os documentos necessários para divórcio variam conforme as características de cada casal.

Um divórcio sem filhos e sem patrimônio, por exemplo, tende a exigir menos documentos do que um caso envolvendo imóveis, empresas, financiamentos, pensão alimentícia e guarda de filhos menores.

Também existe diferença entre o divórcio judicial e o realizado por escritura pública em cartório.

Por isso, organizar a documentação desde o início pode evitar exigências adicionais e facilitar a análise das questões que precisam ser resolvidas.

Quais são os documentos necessários para divórcio?

Alguns documentos são normalmente utilizados independentemente da modalidade escolhida.

Entre os principais estão os documentos pessoais dos cônjuges, a certidão de casamento e os registros relacionados aos filhos e ao patrimônio do casal.

A Resolução nº 35 do Conselho Nacional de Justiça, atualmente com as alterações introduzidas pela Resolução nº 571/2024, estabelece expressamente uma relação documental para o divórcio consensual por escritura pública.

Como referência inicial, podem ser necessários:

DocumentoQuando pode ser necessário
Documento de identidadeIdentificação dos cônjuges
CPFIdentificação fiscal
Certidão de casamentoComprovação do vínculo matrimonial
Pacto antenupcialQuando houver
Documentos dos filhosQuando o casal possuir filhos
Documentos de imóveisQuando houver patrimônio imobiliário
Documentos de veículosQuando houver veículos a partilhar
Documentos bancáriosQuando contas, investimentos ou valores fizerem parte da partilha
Documentos societáriosQuando um dos cônjuges possuir participação em empresa
Documentos de dívidas e financiamentosQuando existirem obrigações relacionadas ao patrimônio

Essa relação não é necessariamente suficiente para todos os casos.

O tipo de patrimônio e as questões que serão discutidas podem exigir documentação adicional.

A certidão de casamento precisa estar atualizada?

A certidão de casamento é um dos principais documentos para iniciar o procedimento.

No divórcio extrajudicial, a regulamentação do CNJ exige sua apresentação.

Na prática, o cartório ou o procedimento judicial pode exigir uma certidão expedida recentemente.

Por isso, antes de utilizar uma cópia antiga guardada desde o casamento, é recomendável verificar a exigência aplicável ao local em que o divórcio será realizado.

Após a conclusão do divórcio, também será necessário realizar a respectiva averbação no registro de casamento.

Qual a diferença entre divórcio consensual e litigioso?

O divórcio consensual ocorre quando os cônjuges estão de acordo com o encerramento do casamento e conseguem definir as demais questões necessárias.

Isso pode incluir partilha dos bens, eventual pensão entre os cônjuges, uso do nome após o divórcio e questões relacionadas aos filhos.

Já o divórcio litigioso ocorre quando existe divergência.

A discordância pode envolver patrimônio, guarda, convivência, alimentos ou outras questões.

É preciso concordar com o divórcio?

O fim do casamento não depende da vontade do outro cônjuge de permanecer casado.

O conflito pode existir sobre as consequências do término, como divisão patrimonial ou guarda dos filhos.

Por isso, quando não existe consenso, o divórcio pode ser solicitado judicialmente e as demais questões serão tratadas no processo.

Quais são os documentos necessários para divórcio consensual?

No divórcio consensual, os documentos precisam demonstrar quem são as partes, a existência do casamento, a situação dos filhos e os bens que serão objeto da partilha.

Se houver acordo completo, o procedimento poderá ser mais simples.

Quando realizado judicialmente, o Código de Processo Civil prevê que o pedido consensual informe questões relativas à partilha dos bens, eventual pensão entre os cônjuges, guarda, convivência e contribuição destinada aos filhos.

Portanto, além dos documentos pessoais, é importante reunir informações suficientes para formalizar aquilo que foi acordado.

O casal pode ter o mesmo advogado no divórcio consensual?

Sim.

Quando existe consenso, é possível que os dois cônjuges sejam assistidos pelo mesmo profissional.

No divórcio extrajudicial, a presença de advogado ou defensor público é obrigatória. O Código de Processo Civil determina que a escritura somente seja lavrada quando os interessados estiverem assistidos por advogado ou defensor público.

Caso existam interesses conflitantes, cada pessoa pode contar com seu próprio profissional.

Quais são os documentos necessários para divórcio litigioso?

No divórcio litigioso, a documentação básica continua sendo necessária, mas outros documentos podem assumir maior importância.

Isso ocorre porque determinadas questões precisarão ser demonstradas ao Judiciário.

Se existe conflito sobre um imóvel, por exemplo, documentos que indiquem quando ele foi adquirido, sua titularidade e eventual financiamento podem ser relevantes.

Se existe discussão sobre alimentos, podem ser analisados documentos relacionados às necessidades de quem solicita e à capacidade financeira de quem deverá contribuir.

Quando há filhos, documentos relacionados à rotina, despesas e situação familiar também podem ser importantes conforme aquilo que estiver sendo discutido.

Por isso, não existe uma lista única capaz de abranger todos os divórcios litigiosos.

Quais são os documentos para divórcio em cartório?

A Resolução nº 35 do CNJ estabelece expressamente quais documentos devem ser apresentados para a escritura pública de divórcio consensual.

Atualmente, são exigidos certidão de casamento, documento oficial de identidade e CPF, pacto antenupcial quando existente, documentos dos filhos, certidões relacionadas aos imóveis e documentos que comprovem a titularidade dos demais bens e direitos.

O divórcio em cartório precisa de advogado?

Sim.

Mesmo quando o casal está completamente de acordo, o advogado ou defensor público continua sendo necessário.

O artigo 733 do Código de Processo Civil prevê expressamente essa assistência para a escritura pública de divórcio.

Portanto, comparecer diretamente ao cartório sem assistência jurídica não é suficiente para concluir o procedimento.

Quem tem filhos menores pode fazer divórcio em cartório?

Esse ponto mudou e merece atenção na atualização do artigo.

Desde a Resolução nº 571/2024 do Conselho Nacional de Justiça, a existência de filhos menores ou incapazes não impede necessariamente o divórcio extrajudicial.

Para que a escritura seja lavrada, porém, as questões relacionadas a guarda, convivência e alimentos dos filhos precisam ter sido previamente resolvidas judicialmente. Essa circunstância deve constar da escritura.

Essa é uma mudança relevante em relação à regra anteriormente aplicada.

Quais documentos dos filhos são necessários?

No divórcio extrajudicial, o CNJ prevê a apresentação da certidão de nascimento ou de outro documento oficial de identidade dos filhos.

Quando houver filhos menores ou incapazes, também deverá ser demonstrada a solução judicial prévia das questões envolvendo guarda, convivência e alimentos para utilização da via extrajudicial.

No processo judicial, outros documentos podem ser necessários conforme as questões discutidas.

Quais documentos são necessários quando existem imóveis?

Se o casal possui imóveis, é necessário identificar corretamente cada patrimônio que poderá integrar a partilha.

No divórcio extrajudicial, a regulamentação do CNJ exige certidão de propriedade dos imóveis e dos direitos a eles relacionados.

Dependendo do caso, também podem ser relevantes:

DocumentoFinalidade
Matrícula atualizadaDemonstrar a situação registral do imóvel
Escritura ou contratoIdentificar a origem da aquisição
Contrato de financiamentoVerificar obrigações ainda existentes
Demonstrativo da dívidaIdentificar o saldo do financiamento
IPTU ou cadastro municipalAuxiliar na identificação e avaliação
Documentos de aquisiçãoVerificar quando e como o patrimônio foi adquirido

A documentação exata dependerá das características do imóvel e da forma como será realizada a partilha.

Imóvel financiado pode ser dividido no divórcio?

Pode existir partilha de direitos relacionados ao imóvel financiado.

Nesse caso, não basta olhar apenas para o valor atual do imóvel.

É necessário analisar quando o bem foi adquirido, o regime de bens do casamento, quanto já foi pago, saldo devedor e condições do financiamento.

Além disso, a divisão entre os cônjuges não altera automaticamente o contrato existente com a instituição financeira.

Por isso, documentos do financiamento são especialmente importantes.

Quais documentos apresentar quando existem veículos?

Para veículos, é importante apresentar documentos que demonstrem propriedade e situação do bem.

O documento de registro do veículo pode ser utilizado para identificar a titularidade.

Se houver financiamento, também podem ser necessários contrato e informações sobre o saldo ainda devido.

O regime de bens e a data de aquisição serão importantes para definir se aquele patrimônio efetivamente integra a partilha.

Como comprovar dinheiro em conta e investimentos?

Contas bancárias, aplicações financeiras e investimentos também podem fazer parte da análise patrimonial.

Extratos bancários, demonstrativos de investimentos e documentos emitidos pelas instituições financeiras podem ajudar a identificar os valores existentes.

A data utilizada para apuração do patrimônio pode ser relevante conforme as circunstâncias do caso.

Em um divórcio litigioso, por exemplo, divergências sobre movimentações patrimoniais podem exigir análise mais detalhada dos documentos financeiros.

E quando um dos cônjuges possui uma empresa?

A participação societária exige atenção especial.

Não significa necessariamente que o outro cônjuge passará a se tornar sócio da empresa depois do divórcio.

Dependendo do regime de bens e da época da aquisição das quotas, pode existir direito econômico relacionado à participação societária.

Quais documentos da empresa podem ser necessários?

Contrato social e respectivas alterações são documentos importantes.

Também podem ser necessários balanços, demonstrações financeiras e outros elementos utilizados para verificar o valor da participação societária.

Em determinados casos, a discussão pode envolver apuração de haveres, especialmente quando existe divergência sobre quanto vale a participação do cônjuge na sociedade.

Por isso, partilhas que envolvem empresas costumam exigir uma análise mais específica do que a simples divisão de um bem de valor conhecido.

O pacto antenupcial precisa ser apresentado?

Se existir pacto antenupcial, ele precisa ser considerado.

O CNJ inclui expressamente o pacto, quando existente, entre os documentos necessários para divórcio realizado por escritura pública.

Esse documento é importante porque pode conter disposições diretamente relacionadas ao regime patrimonial adotado pelo casal.

Não basta, portanto, verificar apenas a certidão de casamento quando houve pacto antes da união.

O regime de bens interfere nos documentos do divórcio?

Sim.

O regime de bens ajuda a determinar qual patrimônio poderá ser considerado comum e qual permanece individual.

Comunhão parcial, comunhão universal, separação convencional e participação final nos aquestos possuem consequências diferentes.

Além disso, a data e a origem de cada aquisição podem ser relevantes.

Por isso, os documentos patrimoniais precisam permitir identificar não apenas qual bem existe, mas também quando e de que forma ele foi adquirido.

É possível se divorciar sem fazer a partilha dos bens?

Sim.

O Código de Processo Civil estabelece que, quando os cônjuges não chegam a um acordo sobre a partilha, ela pode ser realizada posteriormente ao divórcio.

Isso significa que a existência de conflito patrimonial não precisa necessariamente impedir que o vínculo matrimonial seja encerrado.

Contudo, deixar a partilha para outro momento também possui consequências que precisam ser avaliadas conforme o caso.

Precisa apresentar comprovante de renda?

Nem todo divórcio exige comprovante de renda apenas para encerrar o casamento.

Porém, ele pode se tornar relevante quando existem discussões envolvendo pensão alimentícia entre os cônjuges ou alimentos destinados aos filhos.

Nessas situações, documentos relacionados aos rendimentos podem contribuir para demonstrar a capacidade econômica das partes.

Holerites, declaração de Imposto de Renda, extratos e comprovantes relacionados à atividade profissional podem ser utilizados conforme o caso.

Quais documentos são necessários para definir pensão dos filhos?

Quando o divórcio envolve filhos e também será discutida pensão alimentícia, a documentação pode precisar demonstrar tanto as despesas da criança quanto a condição financeira dos responsáveis.

Não existe uma fórmula automática de 30%.

O valor é definido a partir das circunstâncias do caso, considerando as necessidades dos filhos e a capacidade financeira dos responsáveis.

Comprovantes relacionados a escola, saúde, alimentação, moradia, atividades e outros gastos podem ser relevantes.

Precisa apresentar provas para pedir guarda?

A certidão de nascimento demonstra a filiação, mas uma discussão sobre guarda pode exigir outros elementos.

A decisão deve considerar o melhor interesse da criança ou adolescente.

Quando existe divergência relevante, documentos e outras provas relacionadas à rotina familiar podem ser considerados pelo Judiciário.

Além disso, o Código de Processo Civil prevê participação do Ministério Público nas ações de família quando houver interesse de incapaz.

Posso dar entrada no divórcio sem os documentos dos bens?

Depende do que será solicitado naquele momento.

Como a partilha pode ser realizada posteriormente, a ausência de determinados documentos patrimoniais não significa necessariamente que o divórcio jamais poderá ser decretado.

Entretanto, se a intenção é resolver também a divisão patrimonial, os bens precisarão ser corretamente identificados e documentados.

Iniciar uma partilha sem saber exatamente quais bens existem pode gerar problemas e discussões posteriores.

É preciso apresentar a carteira de trabalho?

A carteira de trabalho não integra automaticamente a documentação básica exigida para todo divórcio.

Ela pode ser relevante em determinadas situações, especialmente quando existem discussões relacionadas à renda.

O mesmo vale para holerites e documentos trabalhistas.

Por isso, a documentação deve ser escolhida conforme aquilo que efetivamente será discutido.

Precisa levar documentos originais?

Isso depende da modalidade e da forma de apresentação.

No cartório, serão observadas as exigências notariais para conferência dos documentos.

No processo judicial eletrônico, documentos normalmente são digitalizados e apresentados pelo profissional responsável.

Ainda assim, é importante preservar os originais.

Também podem existir exigências adicionais quanto à atualização de certidões e autenticação em situações específicas.

Quanto tempo vale uma certidão para o divórcio?

Não existe um prazo nacional único aplicável indistintamente a toda certidão utilizada em qualquer procedimento de divórcio.

Cartórios e tribunais podem exigir documentos expedidos dentro de determinado período.

Por isso, antes de solicitar várias certidões com antecedência, é importante conferir as exigências do procedimento e do local em que ele será realizado.

Esse cuidado evita emitir novamente um documento porque ele já não atende ao período solicitado.

Os documentos mudam conforme o Estado?

Os documentos básicos decorrem das regras nacionais, mas procedimentos administrativos e exigências complementares podem variar.

Cartórios possuem normas estaduais das respectivas Corregedorias, além das regras nacionais do CNJ.

Da mesma maneira, sistemas e procedimentos dos tribunais podem apresentar particularidades.

Portanto, uma lista encontrada na internet deve funcionar como orientação inicial, e não necessariamente como relação definitiva para todos os divórcios do país.

Como organizar os documentos necessários para divórcio?

O primeiro passo é separar documentação pessoal e certidão de casamento.

Depois, é importante identificar se existem filhos, patrimônio, financiamentos, investimentos, empresas ou outras obrigações comuns.

A documentação pode então ser organizada de acordo com cada assunto.

Por exemplo, documentos relacionados ao patrimônio ficam separados daqueles referentes aos filhos ou à renda.

Essa organização facilita a identificação de informações ausentes e ajuda a compreender quais questões precisarão ser resolvidas no procedimento.

Divórcio consensual exige menos documentos?

Nem sempre.

O consenso reduz o número de questões que precisarão ser decididas pelo juiz, mas não elimina a necessidade de comprovar patrimônio e informações relevantes.

Um casal que possui vários imóveis, empresas e investimentos pode precisar apresentar uma quantidade significativa de documentos mesmo estando completamente de acordo.

Já um divórcio litigioso sem patrimônio pode possuir documentação patrimonial muito menor.

Portanto, a quantidade depende mais da complexidade da relação do que apenas da existência de consenso.

Documentos necessários para divórcio: o que conferir antes de iniciar?

Os documentos necessários para divórcio dependem da modalidade escolhida e das características da família.

Certidão de casamento, documentos de identificação, informações sobre filhos e documentos relacionados ao patrimônio formam a base do procedimento.

Quando existem imóveis, veículos, financiamentos, investimentos ou empresas, será necessário reunir documentos capazes de demonstrar a titularidade e a situação desses bens.

Se houver filhos menores, também precisam ser consideradas guarda, convivência e pensão alimentícia.

Desde 2024, a regulamentação do CNJ permite o divórcio consensual extrajudicial mesmo quando existem filhos menores ou incapazes, desde que as questões de guarda, convivência e alimentos tenham sido previamente resolvidas judicialmente.

A assistência de advogado ou defensor público também é obrigatória para o divórcio por escritura pública.

Por isso, reunir os documentos é apenas uma das etapas. Também é necessário identificar quais questões precisarão ser resolvidas e qual procedimento é adequado para a situação.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada para avaliar a documentação, a partilha e as demais questões envolvidas no divórcio.

Acompanhe mais informações sobre Direito de Família no blog da Bogo Advocacia.

Tagged under: divorcio, documentacao, partes

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