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quarta-feira, 17 maio 2023 / Published in Previdenciário

Visão monocular INSS: quais benefícios podem ser analisados?

visão monocular INSS

A busca por visão monocular INSS costuma gerar dúvidas porque a perda da visão de um dos olhos é reconhecida por lei como deficiência sensorial do tipo visual, mas isso não significa que exista direito automático a aposentadoria, BPC ou benefício por incapacidade.

Desde a Lei nº 14.126/2021, a visão monocular é classificada como deficiência para todos os efeitos legais.

Mesmo assim, cada benefício possui requisitos próprios. Por isso, para entender quais direitos podem ser analisados, é necessário separar três situações diferentes: aposentadoria da pessoa com deficiência, benefício por incapacidade e BPC.

O que significa visão monocular no INSS?

A visão monocular INSS envolve a análise previdenciária ou assistencial da pessoa que possui visão funcional em apenas um dos olhos.

A condição é reconhecida legalmente como deficiência sensorial do tipo visual.

Porém, esse reconhecimento não significa concessão automática de benefício.

O INSS precisa analisar qual benefício está sendo solicitado e se os respectivos requisitos foram preenchidos.

Visão monocular é considerada deficiência?

Sim.

A Lei nº 14.126/2021 reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial do tipo visual.

Isso permite que a pessoa tenha sua situação analisada dentro das regras destinadas às pessoas com deficiência.

Ainda assim, o enquadramento previdenciário depende de avaliação específica.

Visão monocular dá direito a aposentadoria?

Pode dar direito à aposentadoria da pessoa com deficiência, desde que os requisitos sejam preenchidos.

Existem duas modalidades principais:

  • aposentadoria da pessoa com deficiência por idade;
  • aposentadoria da pessoa com deficiência por tempo de contribuição.

Em ambas, a existência da deficiência precisa ser comprovada.

Como funciona a aposentadoria por idade da pessoa com deficiência?

Na aposentadoria por idade da pessoa com deficiência, os requisitos gerais são:

  • 60 anos de idade para homens;
  • 55 anos de idade para mulheres;
  • pelo menos 15 anos de contribuição na condição de pessoa com deficiência;
  • carência exigida pelo INSS.

Portanto, não basta atingir a idade.

Também é necessário demonstrar que parte suficiente do histórico contributivo ocorreu na condição de pessoa com deficiência.

Visão monocular INSS exige 15 anos como PCD?

Para a aposentadoria por idade da pessoa com deficiência, é necessário comprovar pelo menos 15 anos de contribuição na condição de PCD.

Isso significa que a data de início da visão monocular pode ser decisiva.

Se a deficiência surgiu depois de muitos anos de contribuição, o período anterior não é automaticamente considerado como tempo na condição de pessoa com deficiência.

Como funciona a aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência?

Nessa modalidade, o tempo exigido depende do grau da deficiência.

Para homens:

  • deficiência grave: 25 anos;
  • deficiência moderada: 29 anos;
  • deficiência leve: 33 anos.

Para mulheres:

  • deficiência grave: 20 anos;
  • deficiência moderada: 24 anos;
  • deficiência leve: 28 anos.

Além disso, é necessário cumprir a carência aplicável.

Visão monocular é deficiência leve, moderada ou grave?

Não existe classificação automática.

A visão monocular não é considerada necessariamente leve, moderada ou grave apenas pelo diagnóstico.

O grau depende da avaliação biopsicossocial.

Essa análise considera os impactos da deficiência sobre a vida da pessoa, suas atividades e as barreiras enfrentadas.

O que é avaliação biopsicossocial?

É uma avaliação que vai além do diagnóstico médico.

Ela pode considerar:

  • limitações funcionais;
  • autonomia;
  • barreiras no ambiente;
  • mobilidade;
  • participação social;
  • condições de trabalho;
  • dificuldades no cotidiano.

O objetivo é compreender como a deficiência interfere efetivamente na vida da pessoa.

Laudo de oftalmologista é suficiente?

O laudo é importante, mas pode não ser suficiente sozinho.

O diagnóstico comprova a condição médica.

Para determinados benefícios, porém, é necessário avaliar também os efeitos funcionais e sociais da deficiência.

Por isso, exames e relatórios devem ser combinados com a avaliação realizada pelo INSS.

Quais documentos podem ajudar?

Entre os documentos que podem ser relevantes estão:

  • laudos oftalmológicos;
  • exames de acuidade visual;
  • prontuários;
  • relatórios médicos;
  • documentos que indiquem quando a perda visual começou;
  • documentos profissionais;
  • histórico contributivo;
  • informações sobre adaptações realizadas no trabalho.

Documentação antiga pode ser especialmente importante quando a deficiência existe há muitos anos.

É necessário provar desde quando existe a visão monocular?

Sim, principalmente nas aposentadorias da pessoa com deficiência.

O INSS precisa identificar durante quais períodos a pessoa já possuía a deficiência.

Por isso, a data de início da condição pode interferir diretamente no cálculo do tempo necessário.

Visão monocular dá direito a aposentadoria por incapacidade permanente?

Não automaticamente.

Deficiência e incapacidade são conceitos diferentes.

Uma pessoa pode ter visão monocular e continuar trabalhando normalmente.

Para aposentadoria por incapacidade permanente, é necessário demonstrar incapacidade total e permanente para o trabalho, além dos demais requisitos previdenciários.

Qual a diferença entre deficiência e incapacidade?

A deficiência está relacionada a impedimentos de longo prazo e às barreiras que dificultam a participação da pessoa na sociedade.

A incapacidade analisa se a pessoa consegue ou não exercer atividade profissional.

Por isso, alguém pode:

  • ter deficiência e continuar trabalhando;
  • ter deficiência e precisar de adaptação;
  • apresentar incapacidade temporária;
  • apresentar incapacidade permanente.

A avaliação depende do benefício solicitado.

Visão monocular pode dar direito a benefício por incapacidade temporária?

Pode, desde que exista incapacidade temporária para o trabalho.

O diagnóstico, isoladamente, não é suficiente.

É necessário demonstrar que a condição impede o exercício da atividade profissional durante determinado período.

A profissão interfere na análise da incapacidade?

Sim.

A mesma condição visual pode afetar profissões de maneira diferente.

Atividades que exigem precisão visual, percepção de profundidade ou determinadas condições de segurança podem sofrer impacto maior.

Por isso, a análise considera tanto o estado de saúde quanto a atividade exercida.

Motorista com visão monocular recebe benefício automaticamente?

Não.

A profissão pode ser relevante para avaliar a capacidade laboral, mas não gera benefício automático.

É necessário considerar:

  • grau de limitação;
  • possibilidade de adaptação;
  • atividade habitual;
  • documentação médica;
  • avaliação previdenciária.

Visão monocular INSS pode dar direito ao BPC?

Pode.

O BPC é um benefício assistencial destinado, entre outras hipóteses, à pessoa com deficiência em situação de baixa renda.

Ele não exige contribuição ao INSS.

Para a concessão, é necessário analisar:

  • existência de deficiência;
  • impedimento de longo prazo;
  • condições sociais;
  • renda familiar;
  • CadÚnico;
  • demais critérios assistenciais.

Toda pessoa com visão monocular recebe BPC?

Não.

A visão monocular não garante BPC automaticamente.

Além da deficiência, é necessário demonstrar situação socioeconômica compatível com os critérios do benefício.

A avaliação considera tanto a condição funcional quanto a realidade familiar.

É preciso contribuir para receber BPC?

Não.

O BPC é assistencial.

Isso significa que a pessoa não precisa ter contribuído ao INSS para solicitar.

Essa é uma das principais diferenças em relação às aposentadorias e aos benefícios por incapacidade.

BPC paga 13º salário?

Não.

O BPC não possui décimo terceiro salário.

Também não gera pensão por morte para dependentes.

Qual é o critério de renda do BPC?

O critério administrativo considera a renda familiar por pessoa e outras condições previstas na legislação.

Além disso, é necessário que o Cadastro Único esteja atualizado.

O cálculo depende da composição familiar e das informações apresentadas.

Como pedir aposentadoria PCD por visão monocular?

O pedido é realizado pelos canais oficiais do INSS.

Depois do requerimento, o segurado pode ser chamado para avaliação biopsicossocial.

É importante apresentar documentos que demonstrem tanto a deficiência quanto sua data de início.

Como pedir aposentadoria por tempo de contribuição PCD?

O procedimento também começa pelo INSS.

Será necessário analisar:

  • tempo total de contribuição;
  • períodos na condição de pessoa com deficiência;
  • grau da deficiência;
  • carência;
  • documentação médica e previdenciária.

O histórico completo precisa ser reconstruído.

O grau atual da deficiência vale para todo o passado?

Não necessariamente.

A deficiência pode ter começado em determinado momento ou ter mudado de grau ao longo da vida.

Por isso, o INSS pode precisar identificar:

  • quando começou;
  • se houve mudança de intensidade;
  • quais períodos foram leves, moderados ou graves.

Documentos médicos antigos ajudam nessa análise.

Quem já se aposentou pode pedir revisão por visão monocular?

Depende.

O simples reconhecimento legal da visão monocular como deficiência não significa que toda aposentadoria concedida anteriormente possa ser revisada.

É necessário analisar:

  • quando a deficiência começou;
  • qual regra foi utilizada;
  • tipo de aposentadoria concedida;
  • possibilidade de enquadramento como PCD;
  • prazo para revisão;
  • documentos existentes.

Quem perdeu a visão depois de se aposentar recebe adicional?

Não existe um adicional geral de aposentadoria apenas pelo surgimento da visão monocular.

Os benefícios previdenciários possuem regras próprias.

Por isso, o aparecimento da condição após a aposentadoria não significa automaticamente aumento do valor recebido.

Visão monocular causada por acidente pode gerar auxílio-acidente?

Pode, dependendo da situação.

O auxílio-acidente pode ser analisado quando existe sequela permanente decorrente de acidente que reduza a capacidade para o trabalho habitual.

Nesse caso, é necessário verificar:

  • origem da perda visual;
  • sequela;
  • redução da capacidade;
  • atividade exercida;
  • categoria do segurado;
  • demais requisitos.

A visão monocular, isoladamente, não substitui essa análise.

E se a visão monocular surgiu por doença?

Nesse caso, podem existir diferentes possibilidades.

Se houver incapacidade para o trabalho, pode ser analisado benefício por incapacidade.

Se houver deficiência e baixa renda, pode ser avaliado o BPC.

Se houver tempo contributivo suficiente como PCD, pode existir aposentadoria da pessoa com deficiência.

Cada benefício segue critérios próprios.

Quem trabalha normalmente pode se aposentar como PCD?

Sim.

A aposentadoria da pessoa com deficiência não exige incapacidade para o trabalho.

Esse ponto é importante.

A pessoa pode continuar trabalhando e, ao mesmo tempo, cumprir requisitos diferenciados previstos para segurados com deficiência.

A aposentadoria PCD exige afastamento do trabalho?

Não pelo simples fato de ser aposentadoria da pessoa com deficiência.

Ela é diferente da aposentadoria por incapacidade permanente.

Por isso, o segurado pode permanecer profissionalmente ativo, observadas as regras aplicáveis.

Visão monocular pode ser reconhecida mesmo que a pessoa tenha autonomia?

Sim.

Ter autonomia e exercer atividade profissional não elimina automaticamente a deficiência.

A avaliação considera a existência do impedimento e as barreiras enfrentadas.

O que mudou sobre visão monocular nos últimos anos?

A principal mudança legislativa ocorreu com a Lei nº 14.126/2021, que reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial do tipo visual.

Esse reconhecimento ampliou a importância da condição em diversas áreas.

No âmbito previdenciário, porém, continuam sendo exigidos os requisitos próprios de cada benefício.

Visão monocular INSS significa aposentadoria automática?

Não.

Esse é um dos principais pontos que precisam ficar claros.

A expressão visão monocular INSS não corresponde a um benefício específico.

Ela pode envolver diferentes direitos, como:

  • aposentadoria da pessoa com deficiência;
  • benefício por incapacidade temporária;
  • aposentadoria por incapacidade permanente;
  • auxílio-acidente;
  • BPC.

Cada benefício exige análise própria.

O que fazer se o INSS negar o benefício?

Primeiro, é necessário identificar o motivo do indeferimento.

Pode ocorrer porque:

  • a deficiência não foi reconhecida;
  • o grau foi classificado de forma diferente;
  • faltou tempo de contribuição;
  • a incapacidade não foi comprovada;
  • o critério de renda não foi preenchido;
  • faltaram documentos.

Depois disso, pode existir possibilidade de recurso administrativo ou discussão judicial.

Quais são os principais erros ao pedir benefício por visão monocular?

Entre os mais comuns estão:

  • acreditar que o diagnóstico garante benefício automático;
  • confundir deficiência com incapacidade;
  • não demonstrar quando a condição começou;
  • pedir aposentadoria PCD sem calcular o tempo;
  • pedir BPC sem analisar a renda familiar;
  • apresentar somente laudo recente;
  • não revisar o CNIS;
  • escolher o benefício errado.

A documentação precisa estar alinhada ao pedido realizado.

Quais benefícios podem ser analisados em casos de visão monocular INSS?

Em situações de visão monocular INSS, podem entrar em análise:

  • aposentadoria da pessoa com deficiência por idade;
  • aposentadoria da pessoa com deficiência por tempo de contribuição;
  • benefício por incapacidade temporária;
  • aposentadoria por incapacidade permanente;
  • auxílio-acidente;
  • BPC.

Isso não significa que a pessoa terá direito a todos eles.

A escolha depende do histórico contributivo, da condição funcional, da renda e da causa da perda visual.

Afinal, visão monocular dá direito a benefício do INSS?

Pode dar, mas não de forma automática.

A visão monocular é reconhecida legalmente como deficiência sensorial do tipo visual.

Esse reconhecimento permite analisar a situação para aposentadorias destinadas à pessoa com deficiência.

Nos benefícios por incapacidade, porém, é preciso comprovar que a condição efetivamente impede o trabalho.

No BPC, além da deficiência, é necessário cumprir requisitos socioeconômicos.

No auxílio-acidente, é preciso demonstrar sequela permanente e redução da capacidade para a atividade habitual.

Por isso, a análise de visão monocular INSS deve considerar qual benefício é adequado, desde quando existe a deficiência, como ela afeta a vida da pessoa e qual é seu histórico previdenciário.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada.

Acompanhe mais informações sobre benefícios previdenciários e direitos da pessoa com deficiência no blog da Bogo Advocacia.

Tagged under: auxílio acidente, auxílio doença, benefícios do INSS, Instituto Nacional do Seguro Social, Lei 14.126/2021, previdência social

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