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Bogo Advocacia
quinta-feira, 26 dezembro 2019 / Published in Previdenciário

Direitos adquiridos na aposentadoria: quem ainda pode usar as regras anteriores à Reforma?

Casal de idosos representando os direitos adquiridos na aposentadoria

Os direitos adquiridos na aposentadoria são especialmente importantes para quem já contribuía para o INSS antes da Reforma da Previdência. Em alguns casos, mesmo que o pedido seja feito atualmente, ainda é possível obter o benefício com base nas regras que existiam antes da mudança.

A Reforma da Previdência entrou em vigor em 13 de novembro de 2019, por meio da Emenda Constitucional nº 103. A própria Emenda assegurou a concessão da aposentadoria, a qualquer tempo, para quem já havia preenchido todos os requisitos necessários até aquela data.

Isso significa que a data em que o segurado solicita a aposentadoria não é, por si só, o que determina a aplicação das regras novas ou antigas. É necessário analisar quando os requisitos para determinado benefício foram efetivamente preenchidos.

O que são direitos adquiridos na aposentadoria?

O direito adquirido ocorre quando uma pessoa já cumpriu todos os requisitos exigidos pela legislação para determinada aposentadoria, mesmo que ainda não tenha solicitado o benefício.

No contexto da Reforma da Previdência, isso significa que quem completou as condições exigidas pelas regras anteriores até 13 de novembro de 2019 pode ter direito à aposentadoria segundo a legislação vigente naquele momento.

Portanto, não era necessário ter feito o pedido ao INSS antes da Reforma para preservar esse direito.

É justamente esse ponto que diferencia o direito adquirido de uma expectativa de direito. Ter vários anos de contribuição antes da Reforma, mas ainda não preencher todos os requisitos de uma aposentadoria, não é suficiente para utilizar automaticamente a regra antiga.

Quem tem direito adquirido à aposentadoria?

Para saber se existem direitos adquiridos na aposentadoria, é necessário reconstruir a situação previdenciária do segurado em 13 de novembro de 2019.

Isso envolve verificar idade, tempo de contribuição, carência e outros requisitos específicos da modalidade de aposentadoria analisada.

Por exemplo, o INSS reconhece expressamente o direito adquirido na aposentadoria por idade urbana para quem implementou os requisitos até a data da Reforma. Para quem já era segurado nessa data, mas ainda não havia completado todas as condições, podem ser aplicáveis as regras de transição.

A mesma lógica também aparece em outras modalidades. Na aposentadoria especial, por exemplo, o INSS informa que quem completou as condições exigidas até 13 de novembro de 2019 pode se aposentar pelas regras anteriores, ainda que faça o requerimento posteriormente.

Posso pedir hoje uma aposentadoria pelas regras anteriores à Reforma?

Sim, desde que o direito tenha sido efetivamente adquirido antes da mudança da legislação.

O artigo 3º da Emenda Constitucional nº 103 assegura a concessão a qualquer tempo quando os requisitos já estavam preenchidos na data de entrada em vigor da Reforma. Além disso, determina que o cálculo observe a legislação vigente quando essas condições foram atendidas.

Por isso, uma pessoa que não solicitou a aposentadoria em 2019 não necessariamente perdeu a possibilidade de utilizar a legislação anterior.

O ponto decisivo será demonstrar que todos os requisitos já haviam sido cumpridos naquela época.

Direito adquirido e regra de transição são a mesma coisa?

Não. Essa diferença é fundamental.

O direito adquirido protege quem já havia completado todos os requisitos antes da Reforma da Previdência.

As regras de transição, por outro lado, foram criadas para segurados que já contribuíam antes da Reforma, mas ainda não haviam preenchido todas as condições necessárias para se aposentar.

Dependendo do histórico previdenciário, podem existir diferentes regras de transição aplicáveis. Entre elas estão sistemas que consideram pontos, idade mínima progressiva e pedágios de 50% ou 100%.

Portanto, ter começado a contribuir antes de 13 de novembro de 2019 não significa automaticamente possuir direito adquirido.

Quem começou a contribuir depois da Reforma tem direito às regras antigas?

Em regra, não.

Para quem ingressou no Regime Geral de Previdência Social após a Reforma, são aplicáveis as novas regras previdenciárias. Na aposentadoria programada, por exemplo, o INSS informa atualmente idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além dos requisitos de contribuição e carência correspondentes.

As regras de transição existem justamente para determinadas pessoas que já estavam vinculadas ao sistema antes da mudança.

Por isso, a data de início das contribuições também é relevante na análise previdenciária.

Tempo de contribuição não reconhecido pode gerar direito adquirido?

Esse é um dos pontos que merecem atenção.

Em alguns casos, o histórico disponível no INSS pode não refletir imediatamente todos os períodos que efetivamente podem ser considerados na aposentadoria.

Vínculos antigos, atividade rural, períodos de atividade especial ou informações inconsistentes no CNIS, por exemplo, podem exigir documentação e análise específica.

Se um período anterior à Reforma for posteriormente reconhecido e ele alterar a situação previdenciária existente em 13 de novembro de 2019, a avaliação sobre eventual direito adquirido também pode mudar.

Por isso, simplesmente consultar o tempo que aparece atualmente no cadastro não substitui uma análise completa do histórico contributivo.

Quem tinha direito adquirido precisa necessariamente usar a regra antiga?

Não necessariamente.

Ter direito adquirido significa que a possibilidade de utilizar determinada regra foi preservada. Isso não significa que ela será sempre a alternativa mais vantajosa para o segurado.

Dependendo do histórico de contribuições, pode ser necessário comparar o benefício obtido pela regra anterior com outras possibilidades aplicáveis ao caso.

Essa análise é importante porque requisitos e formas de cálculo podem produzir resultados diferentes.

Portanto, antes de requerer o benefício, é recomendável verificar não somente quando a pessoa passou a ter direito à aposentadoria, mas também qual possibilidade previdenciária se mostra adequada ao histórico apresentado.

Como saber se tenho direitos adquiridos na aposentadoria?

O primeiro passo é verificar como estava a situação previdenciária em 13 de novembro de 2019.

Para isso, é necessário analisar o CNIS, vínculos empregatícios, contribuições, períodos eventualmente não registrados e documentos que possam comprovar atividades que influenciem o tempo reconhecido pelo INSS.

A análise também precisa considerar qual modalidade de aposentadoria poderia ter sido preenchida naquele momento.

Em alguns casos, poucos meses ou períodos ainda não reconhecidos podem modificar significativamente essa conclusão.

Direitos adquiridos na aposentadoria devem ser analisados individualmente

Os direitos adquiridos na aposentadoria permitem que determinadas pessoas ainda utilizem regras anteriores à Reforma da Previdência, mesmo fazendo o pedido atualmente.

Entretanto, isso depende do cumprimento integral dos requisitos até 13 de novembro de 2019. Quem ainda não havia preenchido todas as condições naquela data pode estar sujeito a uma regra de transição ou às regras posteriores, conforme o histórico previdenciário.

Por isso, analisar contribuições, vínculos e períodos que possam ser reconhecidos é importante antes de definir a regra utilizada no pedido.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada.

Tagged under: aposentadoria, direito previdenciario, reforma da previdência

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