Ter o auxílio doença negado pelo INSS pode deixar o segurado em uma situação difícil, principalmente quando a condição de saúde continua impedindo o exercício do trabalho.
Atualmente, o benefício é chamado oficialmente de auxílio por incapacidade temporária, embora a expressão auxílio doença continue sendo bastante utilizada. Ele é destinado à pessoa que comprova estar temporariamente incapaz para o trabalho ou para sua atividade habitual por mais de 15 dias.
A negativa do INSS, porém, não significa necessariamente que não exista direito ao benefício. O primeiro passo é entender por que o pedido foi indeferido. Dependendo do motivo, o segurado pode apresentar recurso administrativo e documentos que sustentem sua contestação.
Por que o auxílio doença pode ser negado?
Existem diferentes motivos que podem resultar no auxílio doença negado.
A incapacidade para o trabalho é um dos principais pontos analisados, mas não é o único. O INSS também verifica outros requisitos previdenciários relacionados ao segurado e ao benefício solicitado.
Por isso, é importante consultar a decisão de indeferimento antes de decidir o que fazer.
Em situações relacionadas à incapacidade, também merece atenção a qualidade da documentação médica. Para solicitar o benefício, o INSS prevê a apresentação de laudo, relatório ou atestado legível, com informações como nome do paciente, data de emissão, período estimado de repouso, identificação do profissional e dados sobre a doença.
Auxílio doença negado: o que fazer?
Ao receber a negativa, o segurado deve verificar qual foi a justificativa apresentada pelo INSS.
Essa informação é fundamental porque o recurso precisa responder aos motivos que levaram ao indeferimento.
Se a discussão estiver relacionada à incapacidade, por exemplo, podem ser relevantes documentos médicos atualizados que demonstrem as limitações enfrentadas e a relação delas com a atividade profissional.
Já quando a negativa envolve outro requisito previdenciário, a documentação necessária pode ser diferente.
Portanto, simplesmente apresentar novamente os mesmos documentos nem sempre resolve o problema.
É possível recorrer quando o auxílio doença é negado?
Sim. Quem não concorda com uma decisão administrativa do INSS pode apresentar Recurso Ordinário.
Esse recurso é encaminhado à Junta de Recursos, primeira instância do Conselho de Recursos da Previdência Social, o CRPS. Antes disso, o próprio INSS realiza uma nova análise e, caso mantenha sua decisão, encaminha o processo ao Conselho.
Isso permite que o segurado conteste formalmente os fundamentos utilizados para negar o benefício.
Qual é o prazo para recorrer?
O prazo para apresentar o Recurso Ordinário é de 30 dias após o segurado tomar conhecimento da decisão que pretende contestar.
Por isso, a data em que o segurado teve ciência do indeferimento merece atenção.
Deixar para analisar a negativa posteriormente pode comprometer a apresentação do recurso dentro do prazo administrativo.
Como recorrer do auxílio doença negado?
O procedimento pode ser feito pela internet.
No Meu INSS, o segurado pode procurar pelo serviço Recurso Ordinário (Inicial) e seguir as orientações apresentadas pela plataforma. O serviço oficial também informa a possibilidade de utilização da Central 135 quando houver indisponibilidade do sistema.
Serviço oficial para apresentar Recurso Ordinário no INSS
Não é necessário comparecer obrigatoriamente a uma agência para protocolar o recurso.
Durante o procedimento, o segurado deve apresentar as razões pelas quais discorda da decisão e pode anexar documentos que fundamentem sua argumentação.
O que escrever no recurso?
Um recurso eficiente precisa estar relacionado ao motivo da negativa.
Não basta informar que o segurado possui determinada doença. Para os benefícios por incapacidade, o ponto central é demonstrar de que forma a condição de saúde compromete temporariamente o exercício do trabalho ou da atividade habitual.
Por exemplo, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar limitações completamente diferentes. A profissão exercida, a intensidade dos sintomas, o tratamento realizado e as restrições funcionais podem interferir na análise.
Por isso, o recurso deve considerar as particularidades do caso.
Quais documentos podem ajudar no recurso?
Quando o auxílio doença é negado por uma questão relacionada à incapacidade, a documentação médica tem papel importante.
Atestados, relatórios, laudos, exames e outros documentos podem contribuir para demonstrar o quadro de saúde. Além do diagnóstico, é interessante que os documentos apresentem informações sobre as limitações existentes, o tratamento realizado e o período estimado de afastamento.
O serviço de recurso permite anexar documentos destinados a explicar e fundamentar a contestação apresentada pelo segurado.
Dependendo do motivo do indeferimento, também podem ser necessários documentos trabalhistas ou previdenciários.
Ter uma doença garante o auxílio doença?
Não.
O diagnóstico, isoladamente, não garante a concessão do benefício.
O auxílio por incapacidade temporária está relacionado à existência de incapacidade temporária para o trabalho ou para a atividade habitual, além do cumprimento dos demais requisitos aplicáveis.
Essa diferença é importante.
Uma pessoa pode possuir uma doença e continuar trabalhando normalmente. Outra pessoa com a mesma condição pode apresentar limitações que tornam impossível exercer sua atividade durante determinado período.
É justamente essa realidade que precisa ser demonstrada durante a análise do benefício.
Precisa de advogado para recorrer do auxílio doença negado?
Não existe obrigatoriedade de advogado para apresentar o Recurso Ordinário.
O próprio segurado pode protocolar o recurso pelos canais oficiais do INSS.
No entanto, quando existem dúvidas sobre o motivo da negativa, documentação, qualidade de segurado ou outros requisitos previdenciários, uma análise jurídica pode ajudar a identificar qual medida é adequada para aquela situação.
Isso também evita que recurso, novo requerimento e eventual discussão judicial sejam tratados como se fossem procedimentos equivalentes.
É melhor recorrer ou fazer um novo pedido?
Depende das circunstâncias.
O recurso busca modificar uma decisão já proferida pelo INSS. Portanto, ele está relacionado ao requerimento que foi negado.
Um novo pedido inicia outro processo administrativo e pode fazer sentido quando existem fatos novos, alterações importantes na condição do segurado ou novas provas.
A escolha não deve ser automática.
É necessário avaliar por que o benefício foi negado, quais documentos estavam disponíveis naquele momento e qual é a situação atual do trabalhador.
E se o recurso também for negado?
Se a Junta de Recursos mantiver uma decisão desfavorável, ainda pode existir a possibilidade de Recurso Especial, conforme as regras aplicáveis ao processo administrativo previdenciário.
O Recurso Especial corresponde à segunda instância administrativa e é julgado pelas Câmaras de Julgamento do CRPS. O prazo informado pelo INSS também é de 30 dias após a ciência da decisão que se pretende contestar.
Dependendo da situação, também pode ser necessário avaliar a possibilidade de discussão judicial.
Por isso, uma nova negativa deve ser analisada individualmente antes da definição do próximo caminho.
Como acompanhar o recurso no INSS?
Depois de protocolar o pedido, o segurado pode acompanhar seu andamento pelos canais digitais.
No Meu INSS, a consulta pode ser feita na área Consultar Pedidos, onde ficam disponíveis informações sobre o andamento da solicitação.
É importante acompanhar o processo para identificar eventuais solicitações e verificar quando uma nova decisão for emitida.
O que fazer depois de ter o auxílio doença negado?
O ponto mais importante é não tomar uma decisão apenas com base no resultado “indeferido”.
É preciso identificar por que o INSS negou o benefício.
A partir dessa informação, é possível avaliar se existem documentos que não foram considerados, se há elementos para contestar a decisão e se o recurso administrativo é a alternativa adequada.
O auxílio doença negado pode ser questionado administrativamente, mas o resultado dependerá dos requisitos do benefício, das circunstâncias do segurado e das provas apresentadas.
Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada para analisar a decisão do INSS e os documentos disponíveis.


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