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quarta-feira, 09 outubro 2019 / Published in Previdenciário

Auxílio doença negado: o que fazer e como recorrer no INSS?

Pessoa segurando medicamentos para ilustrar caso de auxílio doença negado pelo INSS

Ter o auxílio doença negado pelo INSS pode deixar o segurado em uma situação difícil, principalmente quando a condição de saúde continua impedindo o exercício do trabalho.

Atualmente, o benefício é chamado oficialmente de auxílio por incapacidade temporária, embora a expressão auxílio doença continue sendo bastante utilizada. Ele é destinado à pessoa que comprova estar temporariamente incapaz para o trabalho ou para sua atividade habitual por mais de 15 dias.

A negativa do INSS, porém, não significa necessariamente que não exista direito ao benefício. O primeiro passo é entender por que o pedido foi indeferido. Dependendo do motivo, o segurado pode apresentar recurso administrativo e documentos que sustentem sua contestação.

Por que o auxílio doença pode ser negado?

Existem diferentes motivos que podem resultar no auxílio doença negado.

A incapacidade para o trabalho é um dos principais pontos analisados, mas não é o único. O INSS também verifica outros requisitos previdenciários relacionados ao segurado e ao benefício solicitado.

Por isso, é importante consultar a decisão de indeferimento antes de decidir o que fazer.

Em situações relacionadas à incapacidade, também merece atenção a qualidade da documentação médica. Para solicitar o benefício, o INSS prevê a apresentação de laudo, relatório ou atestado legível, com informações como nome do paciente, data de emissão, período estimado de repouso, identificação do profissional e dados sobre a doença.

Auxílio doença negado: o que fazer?

Ao receber a negativa, o segurado deve verificar qual foi a justificativa apresentada pelo INSS.

Essa informação é fundamental porque o recurso precisa responder aos motivos que levaram ao indeferimento.

Se a discussão estiver relacionada à incapacidade, por exemplo, podem ser relevantes documentos médicos atualizados que demonstrem as limitações enfrentadas e a relação delas com a atividade profissional.

Já quando a negativa envolve outro requisito previdenciário, a documentação necessária pode ser diferente.

Portanto, simplesmente apresentar novamente os mesmos documentos nem sempre resolve o problema.

É possível recorrer quando o auxílio doença é negado?

Sim. Quem não concorda com uma decisão administrativa do INSS pode apresentar Recurso Ordinário.

Esse recurso é encaminhado à Junta de Recursos, primeira instância do Conselho de Recursos da Previdência Social, o CRPS. Antes disso, o próprio INSS realiza uma nova análise e, caso mantenha sua decisão, encaminha o processo ao Conselho.

Isso permite que o segurado conteste formalmente os fundamentos utilizados para negar o benefício.

Qual é o prazo para recorrer?

O prazo para apresentar o Recurso Ordinário é de 30 dias após o segurado tomar conhecimento da decisão que pretende contestar.

Por isso, a data em que o segurado teve ciência do indeferimento merece atenção.

Deixar para analisar a negativa posteriormente pode comprometer a apresentação do recurso dentro do prazo administrativo.

Como recorrer do auxílio doença negado?

O procedimento pode ser feito pela internet.

No Meu INSS, o segurado pode procurar pelo serviço Recurso Ordinário (Inicial) e seguir as orientações apresentadas pela plataforma. O serviço oficial também informa a possibilidade de utilização da Central 135 quando houver indisponibilidade do sistema.

Serviço oficial para apresentar Recurso Ordinário no INSS

Não é necessário comparecer obrigatoriamente a uma agência para protocolar o recurso.

Durante o procedimento, o segurado deve apresentar as razões pelas quais discorda da decisão e pode anexar documentos que fundamentem sua argumentação.

O que escrever no recurso?

Um recurso eficiente precisa estar relacionado ao motivo da negativa.

Não basta informar que o segurado possui determinada doença. Para os benefícios por incapacidade, o ponto central é demonstrar de que forma a condição de saúde compromete temporariamente o exercício do trabalho ou da atividade habitual.

Por exemplo, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar limitações completamente diferentes. A profissão exercida, a intensidade dos sintomas, o tratamento realizado e as restrições funcionais podem interferir na análise.

Por isso, o recurso deve considerar as particularidades do caso.

Quais documentos podem ajudar no recurso?

Quando o auxílio doença é negado por uma questão relacionada à incapacidade, a documentação médica tem papel importante.

Atestados, relatórios, laudos, exames e outros documentos podem contribuir para demonstrar o quadro de saúde. Além do diagnóstico, é interessante que os documentos apresentem informações sobre as limitações existentes, o tratamento realizado e o período estimado de afastamento.

O serviço de recurso permite anexar documentos destinados a explicar e fundamentar a contestação apresentada pelo segurado.

Dependendo do motivo do indeferimento, também podem ser necessários documentos trabalhistas ou previdenciários.

Ter uma doença garante o auxílio doença?

Não.

O diagnóstico, isoladamente, não garante a concessão do benefício.

O auxílio por incapacidade temporária está relacionado à existência de incapacidade temporária para o trabalho ou para a atividade habitual, além do cumprimento dos demais requisitos aplicáveis.

Essa diferença é importante.

Uma pessoa pode possuir uma doença e continuar trabalhando normalmente. Outra pessoa com a mesma condição pode apresentar limitações que tornam impossível exercer sua atividade durante determinado período.

É justamente essa realidade que precisa ser demonstrada durante a análise do benefício.

Precisa de advogado para recorrer do auxílio doença negado?

Não existe obrigatoriedade de advogado para apresentar o Recurso Ordinário.

O próprio segurado pode protocolar o recurso pelos canais oficiais do INSS.

No entanto, quando existem dúvidas sobre o motivo da negativa, documentação, qualidade de segurado ou outros requisitos previdenciários, uma análise jurídica pode ajudar a identificar qual medida é adequada para aquela situação.

Isso também evita que recurso, novo requerimento e eventual discussão judicial sejam tratados como se fossem procedimentos equivalentes.

É melhor recorrer ou fazer um novo pedido?

Depende das circunstâncias.

O recurso busca modificar uma decisão já proferida pelo INSS. Portanto, ele está relacionado ao requerimento que foi negado.

Um novo pedido inicia outro processo administrativo e pode fazer sentido quando existem fatos novos, alterações importantes na condição do segurado ou novas provas.

A escolha não deve ser automática.

É necessário avaliar por que o benefício foi negado, quais documentos estavam disponíveis naquele momento e qual é a situação atual do trabalhador.

E se o recurso também for negado?

Se a Junta de Recursos mantiver uma decisão desfavorável, ainda pode existir a possibilidade de Recurso Especial, conforme as regras aplicáveis ao processo administrativo previdenciário.

O Recurso Especial corresponde à segunda instância administrativa e é julgado pelas Câmaras de Julgamento do CRPS. O prazo informado pelo INSS também é de 30 dias após a ciência da decisão que se pretende contestar.

Dependendo da situação, também pode ser necessário avaliar a possibilidade de discussão judicial.

Por isso, uma nova negativa deve ser analisada individualmente antes da definição do próximo caminho.

Como acompanhar o recurso no INSS?

Depois de protocolar o pedido, o segurado pode acompanhar seu andamento pelos canais digitais.

No Meu INSS, a consulta pode ser feita na área Consultar Pedidos, onde ficam disponíveis informações sobre o andamento da solicitação.

É importante acompanhar o processo para identificar eventuais solicitações e verificar quando uma nova decisão for emitida.

O que fazer depois de ter o auxílio doença negado?

O ponto mais importante é não tomar uma decisão apenas com base no resultado “indeferido”.

É preciso identificar por que o INSS negou o benefício.

A partir dessa informação, é possível avaliar se existem documentos que não foram considerados, se há elementos para contestar a decisão e se o recurso administrativo é a alternativa adequada.

O auxílio doença negado pode ser questionado administrativamente, mas o resultado dependerá dos requisitos do benefício, das circunstâncias do segurado e das provas apresentadas.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada para analisar a decisão do INSS e os documentos disponíveis.

Tagged under: advogado previdenciário, auxílio-doença, inss, recurso

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