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quinta-feira, 04 junho 2020 / Published in Previdenciário

Tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu: existe algum?

Homem idoso em conteúdo sobre tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu

Ao chegar perto da terceira idade sem um histórico regular de pagamentos ao INSS, muitas pessoas começam a procurar tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu.

A primeira informação importante é que não existe uma aposentadoria urbana concedida simplesmente porque a pessoa atingiu determinada idade sem nunca ter contribuído para a Previdência Social.

A aposentadoria é um benefício previdenciário. Portanto, em regra, exige vínculo com o sistema e cumprimento dos requisitos de contribuição ou de atividade previstos pela legislação.

Isso não significa, porém, que uma pessoa sem recolhimentos mensais esteja necessariamente sem qualquer proteção.

Dependendo da situação, ela pode ter direito ao Benefício de Prestação Continuada, BPC, que é assistencial e não exige contribuição anterior. Também existem casos específicos, principalmente entre trabalhadores rurais enquadrados como segurados especiais, em que a atividade exercida pode gerar direito à aposentadoria mesmo sem pagamentos mensais tradicionais ao INSS.

Existem tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu?

Para quem nunca teve qualquer vínculo previdenciário, nunca exerceu atividade como segurado obrigatório e nunca realizou contribuições, não existe aposentadoria apenas em razão da idade.

A confusão costuma acontecer porque o BPC é pago pelo INSS e possui valor equivalente a um salário mínimo. Apesar dessas semelhanças, ele não é uma aposentadoria.

Há ainda situações em que a pessoa acredita que nunca contribuiu, mas seu histórico pode conter períodos relevantes.

Isso ocorre, por exemplo, com trabalhadores empregados cujo recolhimento era responsabilidade da empresa ou com segurados especiais que exerceram atividade rural.

Por isso, antes de concluir que nunca houve contribuição ou tempo válido, é importante analisar o histórico previdenciário.

Quem nunca contribuiu pode receber BPC?

Sim, desde que cumpra os requisitos.

O Benefício de Prestação Continuada, BPC, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social, garante um salário mínimo mensal à pessoa idosa ou à pessoa com deficiência que esteja em situação de baixa renda.

Como se trata de benefício assistencial, não é necessário ter contribuído para o INSS.

Existem duas possibilidades principais:

BPC para pessoa idosa: destinado a quem possui 65 anos ou mais e atende aos critérios socioeconômicos.

BPC para pessoa com deficiência: pode ser concedido em qualquer idade, desde que seja comprovado impedimento de longo prazo e preenchidos os demais requisitos.

Portanto, quando alguém pesquisa tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu, muitas vezes o benefício que realmente procura é o BPC.

Quais são os requisitos do BPC para idosos?

Para o BPC destinado à pessoa idosa, é necessário ter 65 anos ou mais.

Também é necessário comprovar situação de baixa renda. O critério administrativo considera, em regra, renda familiar por pessoa de até 1/4 do salário mínimo.

O grupo familiar também precisa estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, o CadÚnico.

Atualmente, o cadastro deve permanecer atualizado, com atualização realizada há no máximo dois anos.

Outras exigências documentais podem ser aplicadas durante a análise, inclusive as relacionadas à identificação e biometria.

Pessoa com deficiência que nunca contribuiu pode receber benefício?

Pode existir direito ao BPC para a pessoa com deficiência.

Nesse caso, não existe idade mínima.

Para fins do benefício, é considerada pessoa com deficiência aquela que possui impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, comprometa sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

O INSS considera como longo prazo o impedimento com duração mínima de dois anos. Também é necessário preencher o critério socioeconômico exigido para o BPC.

A concessão pode envolver avaliação social e médica para verificar a deficiência e suas repercussões.

BPC é aposentadoria?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes ao falar sobre tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu.

O BPC é um benefício assistencial, enquanto a aposentadoria possui natureza previdenciária.

Essa diferença produz consequências práticas.

Quem recebe BPC não recebe 13º salário. Além disso, o benefício não gera pensão por morte para dependentes.

O benefício também passa por revisões para verificar se os requisitos que justificaram sua concessão continuam presentes.

Portanto, apesar de o BPC garantir uma renda mensal de um salário mínimo, ele não deve ser tratado como uma modalidade de aposentadoria.

Quem nunca pagou carnê do INSS pode ter aposentadoria rural?

Em determinadas situações, sim.

Esse é um ponto importante porque nunca ter pago mensalmente uma guia do INSS não significa necessariamente nunca ter adquirido direito previdenciário.

O segurado especial, como agricultor familiar, pescador artesanal e alguns outros trabalhadores rurais, possui regras próprias.

Para a aposentadoria por idade rural, é necessário comprovar, em regra, 180 meses de atividade rural, além da idade mínima de 55 anos para mulheres e 60 anos para homens.

No caso do segurado especial que não realiza contribuições facultativas mensais, a própria atividade rural comprovada pode ser considerada para fins da carência exigida.

Assim, essa situação é diferente daquela de uma pessoa que nunca trabalhou nem possui qualquer vínculo previdenciário.

Quem trabalhou na roça pode ter direito mesmo sem recolher INSS todo mês?

Pode.

O segurado especial possui um modelo previdenciário próprio.

Agricultores familiares, pescadores artesanais e indígenas, por exemplo, podem preencher os requisitos da aposentadoria rural por meio da comprovação do período de atividade exigido.

Não basta, porém, apenas afirmar que trabalhou na área rural.

O INSS exige comprovação da atividade, e a documentação necessária depende do período e da situação concreta do trabalhador.

Por isso, pessoas que trabalharam durante muitos anos na agricultura, mas nunca preencheram carnês de contribuição, não devem presumir automaticamente que estão sem direito à aposentadoria.

E quem trabalhou registrado, mas não encontra contribuições no INSS?

Essa situação também precisa ser analisada antes de concluir que a pessoa nunca contribuiu.

No caso do empregado, do empregado doméstico, do trabalhador avulso e de determinadas prestações de serviço a empresas, a responsabilidade pelo recolhimento previdenciário pode ser do empregador ou contratante, e não diretamente do trabalhador.

Assim, uma ausência ou inconsistência no CNIS não significa automaticamente que todo aquele período de trabalho foi perdido.

Podem existir documentos capazes de comprovar vínculos e remunerações que não aparecem corretamente no cadastro previdenciário.

Carteira de Trabalho, recibos, contratos, holerites e outros registros podem ser relevantes, dependendo do tipo de atividade exercida.

Por isso, antes de procurar alternativas para quem nunca contribuiu, é importante verificar se realmente não existem períodos que possam ser reconhecidos.

Trabalho informal conta para aposentadoria?

A resposta depende de como essa atividade foi exercida.

Quem trabalhou por conta própria normalmente se enquadra como contribuinte individual e possui regras específicas de recolhimento.

Nesses casos, simplesmente exercer atividade informal durante muitos anos não significa que todo o período será automaticamente reconhecido para aposentadoria.

Pode ser necessário avaliar se existem contribuições em atraso que podem ser regularizadas e quais documentos demonstram o exercício da atividade.

Essa análise deve ser feita com cuidado, porque pagar contribuições atrasadas sem verificar previamente se elas poderão ser utilizadas pode gerar gastos sem produzir o resultado esperado.

É possível começar a contribuir depois dos 60 anos?

Sim. A idade, por si só, não impede que uma pessoa comece a contribuir para o INSS.

No entanto, começar a pagar a Previdência em idade mais avançada não gera aposentadoria imediata.

Será necessário cumprir os requisitos da modalidade de aposentadoria aplicável ao segurado, inclusive a carência exigida.

Por isso, alguém com 65 anos que nunca contribuiu não passa a ter direito à aposentadoria apenas ao realizar uma ou algumas contribuições.

A situação precisa ser analisada considerando idade, categoria previdenciária e tempo necessário para preenchimento dos requisitos.

Vale a pena pagar contribuições antigas para conseguir aposentadoria?

Nem sempre.

Esse é um ponto que exige bastante cautela.

Em algumas categorias e situações, pode existir possibilidade de regularizar períodos antigos. Em outras, o simples pagamento não será suficiente para transformar aquele intervalo em tempo válido.

Também pode ser necessário comprovar que realmente houve atividade remunerada no período.

Por isso, recolher várias contribuições atrasadas apenas com o objetivo de alcançar uma aposentadoria pode não ser a melhor estratégia sem uma análise prévia do histórico.

Quem nunca trabalhou pode se aposentar?

Se a pessoa realmente nunca exerceu atividade que gere filiação previdenciária e nunca contribuiu facultativamente, ela não terá aposentadoria do INSS apenas por atingir determinada idade.

Caso esteja em situação de baixa renda, entretanto, pode ser necessário verificar os requisitos do BPC.

Para pessoas idosas, o benefício pode ser solicitado a partir dos 65 anos.

Para pessoas com deficiência, não existe idade mínima, mas precisam ser comprovados os requisitos relacionados à deficiência e à condição socioeconômica.

Quem nunca contribuiu recebe 13º salário pelo BPC?

Não.

O BPC não possui pagamento de décimo terceiro salário.

Isso acontece justamente porque o benefício possui natureza assistencial e não previdenciária.

Essa diferença também aparece na pensão por morte.

Quando o beneficiário do BPC falece, o benefício é encerrado e não se transforma em pensão para os familiares.

O BPC pode ser cortado?

Sim.

Como o BPC depende da manutenção dos requisitos legais, a situação do beneficiário pode ser revista.

O governo verifica periodicamente se continuam presentes as condições que deram origem à concessão, como renda e, nos casos aplicáveis, a condição relacionada à deficiência.

O CadÚnico também precisa permanecer atualizado.

Por isso, a concessão do BPC não significa que o benefício será necessariamente mantido de forma definitiva em qualquer circunstância.

Como pedir o BPC sem nunca ter contribuído?

O requerimento pode ser realizado pelos canais do INSS, inclusive pelo Meu INSS.

Antes disso, é importante que o grupo familiar esteja corretamente inscrito no CadÚnico e com os dados atualizados.

Durante o processo, o INSS verifica as informações cadastrais e os requisitos do benefício.

Nos pedidos de BPC para pessoa com deficiência, também podem ocorrer avaliações destinadas a verificar a deficiência e as barreiras enfrentadas pelo requerente.

Tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu: o que realmente existe?

Ao pesquisar tipos de aposentadoria para quem nunca contribuiu, é importante separar situações diferentes.

Para quem realmente nunca teve atividade protegida pela Previdência e nunca realizou qualquer contribuição, não existe uma aposentadoria concedida simplesmente em razão da idade ou da baixa renda.

Nessas situações, o BPC pode representar uma forma de proteção assistencial para pessoas com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência que preencham os requisitos socioeconômicos.

Por outro lado, quem trabalhou na atividade rural como segurado especial pode ter direito à aposentadoria por idade rural mesmo sem o recolhimento mensal tradicional. Também é possível que uma pessoa tenha vínculos ou períodos de trabalho que não estejam corretamente registrados no CNIS.

Antes de concluir que não existe direito, portanto, é importante diferenciar nunca ter pago uma guia ao INSS de nunca ter possuído qualquer período previdenciário válido.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada.

Acompanhe mais informações sobre aposentadoria e benefícios assistenciais no blog da Bogo Advocacia.

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