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quinta-feira, 26 março 2020 / Published in Previdenciário

Como pedir aposentadoria? Entenda o passo a passo pelo INSS

Casal utilizando notebook e celular para consultar informações sobre como pedir aposentadoria pelo INSS

Saber como pedir aposentadoria envolve mais do que acessar o Meu INSS e enviar um requerimento. Antes de solicitar o benefício, é importante verificar se os requisitos foram realmente preenchidos, conferir o histórico de contribuições e reunir os documentos necessários.

Isso porque as informações registradas nos sistemas do INSS nem sempre refletem todo o histórico profissional do segurado. Um vínculo ausente, uma contribuição com inconsistência ou um período especial não reconhecido pode interferir na análise.

Além disso, quem já contribuía antes da Reforma da Previdência pode ter diferentes regras disponíveis. Por isso, entender qual aposentadoria pode ser aplicada ao caso é uma etapa importante antes de realizar o pedido.

Como pedir aposentadoria pelo INSS?

O pedido pode ser realizado digitalmente pelo Meu INSS, disponível pelo site e aplicativo.

Depois de acessar a plataforma com a conta Gov.br, o segurado pode selecionar “Novo Pedido” ou utilizar o campo de pesquisa para localizar a aposentadoria correspondente ao seu caso. O INSS também disponibiliza serviços relacionados à aposentadoria pela Central 135.

Após selecionar o benefício, o sistema apresenta as etapas para atualização dos dados, conferência das informações previdenciárias e inclusão da documentação.

O pedido gera um protocolo e o andamento pode ser acompanhado pela opção “Consultar Pedidos” no próprio Meu INSS.

Acessar o Meu INSS

O que verificar antes de pedir aposentadoria?

Antes de entender apenas como pedir aposentadoria, é importante verificar se aquele é realmente o momento adequado para protocolar o requerimento.

Um dos primeiros pontos é identificar qual regra previdenciária pode ser utilizada.

Quem começou a contribuir depois da Reforma da Previdência está submetido às novas regras. Já quem possuía contribuições anteriores a 13 de novembro de 2019 pode ter direito adquirido ou preencher alguma das regras de transição.

Dependendo do histórico, diferentes regras podem resultar em datas e valores distintos.

Por isso, cumprir os requisitos de uma aposentadoria não significa necessariamente que aquela seja a única possibilidade disponível.

O CNIS precisa ser conferido antes do pedido?

Sim. Essa é uma das verificações mais importantes.

O Cadastro Nacional de Informações Sociais, conhecido como CNIS, reúne vínculos empregatícios, remunerações e contribuições utilizadas pelo INSS na análise previdenciária.

Entretanto, podem existir informações ausentes ou inconsistentes.

O próprio INSS orienta que, ao requerer aposentadoria, o segurado confira os vínculos apresentados pelo sistema e informe períodos que não estejam registrados, apresentando os respectivos documentos quando possível.

Por isso, antes do requerimento, é importante observar se todos os empregos aparecem, se as datas estão corretas e se as contribuições realizadas ao longo da vida profissional constam adequadamente.

O simulador do Meu INSS é suficiente?

O Meu INSS possui a ferramenta Simular Aposentadoria, que utiliza os dados existentes nos sistemas previdenciários para calcular o tempo de contribuição e verificar possibilidades de aposentadoria.

Ela pode ser útil para uma consulta inicial, mas o resultado precisa ser interpretado com cuidado.

Se determinado vínculo não aparece no CNIS, por exemplo, a simulação automática pode não considerá-lo. A própria plataforma permite incluir informações manualmente para fins de simulação, mas isso não significa que o período esteja automaticamente reconhecido pelo INSS.

Da mesma forma, períodos especiais, rurais, contribuições em outros regimes e outras situações podem exigir documentação e análise específica.

Quais documentos são necessários para pedir aposentadoria?

Os documentos dependem da modalidade de aposentadoria e do histórico de cada segurado.

Em geral, podem ser necessários documentos de identificação e CPF, além dos registros relacionados à vida previdenciária.

O INSS informa que podem ser solicitados documentos como Carteira de Trabalho, Certidão de Tempo de Contribuição, carnês de recolhimento, formulários de atividade especial e documentação referente à atividade rural, conforme o caso.

Portanto, não existe uma relação única de documentos que sirva para todas as aposentadorias.

Uma pessoa que trabalhou somente como empregada urbana pode precisar de documentos diferentes daqueles exigidos de quem possui atividade rural, serviço público ou exposição a agentes prejudiciais à saúde.

Carteira de trabalho ainda é importante?

Sim.

Embora diversas informações estejam registradas eletronicamente, a Carteira de Trabalho continua podendo ser importante para demonstrar vínculos que estejam ausentes ou apresentem divergências no CNIS.

Carteiras antigas, contratos de trabalho e outros documentos relacionados ao vínculo não devem ser descartados simplesmente porque determinada informação aparece no sistema.

Em caso de divergência, esses documentos podem ser relevantes para esclarecer o histórico profissional.

Quem trabalhou em atividade especial precisa apresentar o PPP?

O Perfil Profissiográfico Previdenciário, PPP, é um dos principais documentos para comprovação da exposição a agentes prejudiciais à saúde em períodos de atividade especial.

Porém, atividade especial não deve ser confundida simplesmente com trabalho insalubre.

O reconhecimento previdenciário depende dos agentes presentes no ambiente, das condições de exposição, do período trabalhado e das regras aplicáveis.

Além disso, a conversão de tempo especial em comum somente é permitida para períodos trabalhados até 13 de novembro de 2019. Para períodos posteriores à Reforma, essa conversão foi vedada.

Por isso, quem possui histórico profissional com exposição a ruído, agentes químicos, biológicos ou outros agentes previstos na legislação deve verificar essa documentação antes de realizar o pedido.

E se o PPP estiver errado ou incompleto?

É importante avaliar a possibilidade de correção antes do requerimento.

O PPP pode apresentar problemas relacionados à descrição das atividades, agentes registrados, períodos de exposição ou outras informações técnicas.

Se o documento não representar corretamente as condições em que o trabalho foi realizado, o reconhecimento do período especial pode ser prejudicado.

Dependendo da situação, podem ser necessários outros documentos e informações técnicas para esclarecer o período.

Quem trabalhou na área rural precisa informar isso?

Sim, quando o período for relevante para a aposentadoria pretendida.

A atividade rural possui regras específicas de comprovação e pode interferir tanto em aposentadorias rurais quanto em outras situações previdenciárias.

Por isso, não basta observar somente os vínculos urbanos existentes no CNIS.

Documentos relacionados à atividade rural devem ser analisados conforme a época, a categoria do segurado e a forma como o trabalho foi exercido.

Tempo de serviço público pode ser usado na aposentadoria do INSS?

Em determinadas situações, sim.

Quando existem períodos vinculados a outro regime previdenciário, pode ser necessário utilizar uma Certidão de Tempo de Contribuição, CTC, para realizar a contagem recíproca.

Esse tempo não deve ser utilizado simultaneamente para obtenção de benefícios em regimes diferentes.

Por isso, quem possui histórico tanto no serviço público quanto na iniciativa privada precisa analisar onde determinado período será utilizado antes de requerer a aposentadoria.

Contribuições atrasadas podem ser pagas antes do pedido?

Esse é outro ponto que exige cuidado.

Nem sempre simplesmente emitir uma guia e pagar contribuições antigas fará com que o período seja automaticamente reconhecido para aposentadoria.

Especialmente no caso de contribuintes individuais, pode ser necessário comprovar que houve exercício de atividade remunerada no período correspondente.

Além disso, o pagamento pode produzir efeitos diferentes para tempo de contribuição e carência, conforme a situação.

Por isso, contribuições antigas não devem ser recolhidas sem verificar previamente se o pagamento é necessário e quais efeitos previdenciários ele poderá produzir.

Como pedir aposentadoria pelo Meu INSS?

Depois de verificar o histórico e reunir a documentação, o requerimento pode ser feito pela plataforma.

O procedimento básico envolve acessar o Meu INSS com CPF e senha da conta Gov.br, selecionar “Novo Pedido”, localizar a modalidade de aposentadoria correspondente e seguir as orientações apresentadas pelo sistema.

Durante o preenchimento, é importante conferir as informações apresentadas e anexar os documentos necessários ao caso.

Os arquivos podem ser enviados digitalmente pelo Meu INSS.

Também é importante manter telefone, e-mail e demais dados de contato atualizados, porque o INSS pode utilizá-los para comunicações relacionadas ao processo.

É preciso ir até uma agência para pedir aposentadoria?

Na maioria dos casos, o requerimento pode ser iniciado sem comparecimento presencial.

O INSS disponibiliza as principais aposentadorias pelo Meu INSS e também mantém atendimento pela Central 135. Caso seja indispensável comprovar alguma informação presencialmente, o segurado pode ser comunicado durante a análise.

Assim, não é necessário ir diretamente a uma agência apenas para iniciar o pedido.

O que acontece depois de pedir aposentadoria?

Depois do protocolo, o INSS analisa as informações e os documentos apresentados.

O andamento pode ser consultado pelo Meu INSS na opção “Consultar Pedidos”.

Durante essa análise, o Instituto pode identificar a necessidade de informações ou documentos complementares.

Nessa situação, pode ser aberta uma exigência.

Por isso, depois de enviar o pedido, é importante acompanhar regularmente o processo e observar eventuais comunicações.

O que é uma exigência do INSS?

A exigência é uma solicitação feita durante a análise quando o INSS entende que precisa de documentação ou esclarecimentos adicionais para decidir o requerimento.

Ela não significa automaticamente que a aposentadoria será negada.

O problema ocorre quando a solicitação não é percebida ou quando a documentação apresentada não responde adequadamente ao que foi solicitado.

Por isso, acompanhar o protocolo é tão importante quanto fazer o pedido inicial.

Quanto tempo demora para sair a aposentadoria?

Não é adequado tratar os antigos “45 dias” como uma garantia de que toda aposentadoria será concedida dentro desse período.

O tempo efetivo pode variar conforme o tipo de benefício, a documentação apresentada, a necessidade de complementação de informações e as etapas necessárias à análise.

Também é importante separar prazo legal para análise ou implantação de uma promessa de que o segurado receberá uma resposta definitiva dentro de determinado número de dias.

Por isso, um requerimento bem instruído pode evitar algumas pendências, mas não permite garantir uma data específica para a decisão.

O que pode atrasar um pedido de aposentadoria?

Algumas situações podem tornar a análise mais complexa.

Entre elas estão vínculos ausentes no CNIS, divergências entre documentos, contribuições não identificadas, PPP incompleto, necessidade de comprovação de atividade rural, períodos vinculados a outro regime previdenciário e documentos insuficientes para demonstrar determinado tempo.

Isso não significa que qualquer inconsistência resultará em demora ou indeferimento.

Porém, identificar esses pontos antes do protocolo permite que o segurado compreenda melhor o próprio histórico e apresente a documentação correspondente.

O INSS pode negar a aposentadoria mesmo depois da simulação indicar direito?

Pode.

A simulação não representa uma decisão administrativa nem garante a concessão do benefício.

Ela é calculada com base nas informações disponíveis nos sistemas do INSS e nas informações inseridas para a simulação.

Na análise efetiva do requerimento, o Instituto verifica documentos, vínculos, contribuições e os requisitos da aposentadoria solicitada.

Por isso, o resultado exibido pelo simulador deve ser entendido como uma referência, e não como uma concessão antecipada.

Pedido de aposentadoria negado significa que não existe direito?

Não necessariamente.

Um indeferimento pode decorrer da ausência de requisito, mas também pode envolver problemas de documentação, períodos não reconhecidos ou divergências no histórico previdenciário.

Quando o pedido é negado, é importante compreender qual foi o motivo apresentado pelo INSS antes de definir o próximo passo.

Dependendo do caso, pode ser possível apresentar recurso administrativo, realizar novo requerimento posteriormente ou discutir a questão judicialmente.

A estratégia adequada depende do motivo do indeferimento e dos documentos disponíveis.

Vale a pena pedir aposentadoria assim que completar os requisitos?

Essa decisão também merece análise.

Preencher os requisitos significa que determinada aposentadoria pode estar disponível. Isso não significa, porém, que necessariamente seja a regra mais vantajosa para aquele histórico.

Quem possui direito a mais de uma regra pode encontrar diferenças na data de concessão e no cálculo do benefício.

Em alguns casos, alguns meses adicionais de contribuição podem modificar a regra preenchida ou o valor calculado. Em outros, esperar pode não trazer uma vantagem relevante.

Por isso, a comparação deve considerar tanto quando é possível se aposentar quanto qual poderá ser o valor do benefício.

Como pedir aposentadoria com mais segurança?

Para entender como pedir aposentadoria, o primeiro passo não deveria ser simplesmente abrir um novo requerimento.

Antes disso, é importante conferir o CNIS, identificar a regra aplicável, verificar se existem períodos que precisam de comprovação e reunir a documentação correspondente.

Somente depois dessa análise o pedido pode ser preenchido com informações mais completas sobre a trajetória previdenciária.

O Meu INSS facilita o protocolo e o acompanhamento, mas a plataforma utiliza os dados disponíveis nos sistemas previdenciários e os documentos apresentados pelo segurado. Por isso, conhecer o próprio histórico continua sendo uma etapa importante.

Cada caso tem suas particularidades. Por isso, é importante contar com orientação jurídica especializada.

Acompanhe mais informações no blog da Bogo Advocacia.

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